Embaixador na Líbia diz que correspondente do 'Estado' será libertado

Enviado especial Andrei Netto foi detido em cidade a oeste de Trípoli; redação perdeu contato por uma semana

Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

10 Março 2011 | 11h24

BRASÍLIA - O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Omar Abdullah Al-Zubaidi, informou no fim da manhã desta quinta-feira, 10, aos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP) que o jornalista do Estado de S.Paulo Andrei Netto está sendo libertado. Ele foi detido  oeste da capital Trípoli enquanto cobria os confrontos entre rebeldes e forças do regime de Muamar Kadafi.

 

A conversa aconteceu há pouco, por telefone, durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que é presidida por Paim. "Todas as autoridades da Líbia estão tomando as providências para que ele seja libertado", afirmou o senador Paim, repetindo as palavras que ouviu por telefone do embaixador.

 

Segundo os senadores, o embaixador disse que ele foi preso por não ter preenchido corretamente os documentos para entrar no país. A conversa com o embaixador se deu minutos depois da comissão ter aprovado uma moção de solidariedade do Senado ao Grupo Estado de São Paulo pela apreensão provocada com o desaparecimento do jornalista.

 

O Estado havia perdido todo contato direto com o repórter. Até domingo, a redação recebia informações indiretas de que ele estava bem, escondido na região de Zawiya - cenário de violentos confrontos entre Kadafi e os insurgentes, a 30 quilômetros de Trípoli. A comunicação direta com a redação - por meio de telefonemas e e-mails - havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias.

 

Desde semana passada, o Estado acionou diversas entidades internacionais, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a ONU, a ONG e Repórteres Sem Fronteiras, além da embaixada da Líbia no Brasil e vários veículos de comunicação do Brasil e do mundo no sentido de garantir a integridade física e segurança do repórter.

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