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Encontrado verdadeiro Pinpoo; 'É ele, com todas as manias', comemora dona

Agentes da Brigada Militar montaram 'ação de captura' para pegar cão que havia desaparecido no aeroporto de Porto Alegre

Ítalo Reis e Priscila Trindade, Estadão.com.br

17 Março 2011 | 09h17

SÃO PAULO - Dessa vez era verdade. Após quase 15 dias, o cachorro Pinpoo foi encontrado quarta-feira à noite dentro do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e entregue a sua dona, Nair Flores, por agentes da Brigada Militar (a polícia gaúcha). "Não precisa de DNA. É ele com todos os defeitos e manias. Finalmente uma notícia verdadeira. Estou emocionada", comemorou a aposentada. O assunto, bem repercutido, virou um dos mais comentados no Twitter, tanto na lista nacional quanto na mundial.

 

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Toda dúvida que foi criada em torno do outro animal encontrado nesta semana não houve com o cão achado ontem. "Quando ele foi colocado no chão, veio voando para o meu colo. Ele pulou, me beijou, me acariciou. E apesar de estar sujo, eu também o beijei", disse dona Nair, feliz.

 

Desaparecido desde o último dia 2, o animal parece não ter deixando a região do terminal aéreo, onde o drama começou. De viagem para Vitória, ela despachou na capital gaúcha o animal que nunca chegou ao seu destino. Ao saber, Nair começou a procurar Pinpoo nos arredores do aeroporto.

 

O sargento do Batalhão de Aviação da Brigada Militar, Paulo Roberto Ribas da Silva, percebeu que o cachorro rondava o local há dias, provavelmente com fome e sede nos últimos dias. "Ele parecia assustado com a movimentação do local", disse. Acompanhando o caso pela imprensa, ele reconheceu Pinpoo pelas imagens da mídia e fotos distribuídas aos funcionários do aeroporto. "Acompanhei a entrevista da dona dele na imprensa e me comovi muito. Eu tenho dois cachorros e mexeu muito comigo ver o desespero dela."

 

 

 

Condoído com a história de Nair, bolou um plano para capturar Pinpoo. Com os colegas, começou a deixar iscas de ração para tentar se aproximar do cão. Conseguiram. "Coloquei comida em um pote e deixei dentro de uma sala. Ele entrou para comer a ração com pedaços de carne de galinha e eu o peguei", falou o policial, orgulhoso por ter encontrado o animal.

 

Então a mulher do sargento, responsável pela "ação de captura", ligou para Nair avisando do feito. "A esposa dele me ligou, você precisava ver a felicidade dela, e falou: 'Não precisa se preocupar porque é ele mesmo'", contou a dona do Pinpoo. Ela também fez questão de falar o policial "não é o infrator, e sim um herói", por ter alimentado o bicho dentro da área do aeroporto, o que seria irregular.

 

Machucados. Apesar da certeza pela felicidade do cão, outra comprovação de que esse era o verdadeiro Pinpoo surgiu: ele pediu o seu banho à seco (feito com spray) antes de dormir, no que foi prontamente atendido pela dona. Hoje, o animal vai ser levado ao veterinário para uma avaliação já que, segundo a dona, está com uma pata dianteira machucada. "Vou me dedicar a ele, dar um banho de verdade", afirmou.

 

Já o pé de dona Nair, quebrado nos primeiros dias de busca por Pinpoo, piorou após ela continuar a procurar o cachorro, mancando pela cidade. Ela foi ao médico ontem para tirar a tala e viu o pé escurecido e inchado. Trocou a tala por uma bota ortopédica, para facilitar, e deve voltar a visitar um hospital logo, mas só depois de cuidar do cão.

 

Gollog. Nair disse que pretende tomar as medidas necessárias contra a Gollog, empresa de transporte da Gol. "Eu tenho que levar esse caso adiante. As pessoas precisam saber que me importo com os outros cães, não quero que isso aconteça a ninguém", disse.

 

Sobre o falso Pinpoo, ela disse que não pôde fazer nada. Ela precisou deixar o animal no veterinário que a empresa contratou. "Assinar o termo de recebimento seria reconhecer que o cão é o Pinpoo e isentaria a empresa da responsabilidade pela perda do meu animal de estimação", justificou Nair.

 

Ela percebeu que o cachorro não era o dela após ele tomar banho. A pelagem estava mais clara e ele continuava a não reagir com alegria à presença dela. Diante do impasse, o suposto Pinpoo ficou internado à espera de uma decisão da empresa e provavelmente será encaminhado à adoção.

 

A assessoria de imprensa da Gollog informou também que a empresa considera o caso "atípico" porque já transportou mais de cem mil animais sem ter qualquer problema semelhante.

 

(Com Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo)

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