Encontro do papa com menores infratores pode melhorar atendimento a detentos, diz Pastoral Carcerária

Pontífice ouvirá confissões de jovens nesta sexta-feira

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2013 | 13h51

Um dos momentos mais esperados da Jornada Mundial da Juventude acontecerá nesta sexta-feira de manhã, quando o papa Francisco vai encontrar nove menores infratores para ouvir sua confissão. Para Vera Lúcia Alves, coordenadora da Pastoral Carcerária da Região Sudeste, essa ação, além de trazer esperança para os jovens que se envolveram com crimes, poderá derrubar barreiras para a atuação da Pastoral nas unidades prisionais e de recuperação de menores no Brasil.

"Essa vinda do papa trouxe um alento muito grande. E acredito que vamos conseguir mudar muitas coisas e algumas barreiras vão ser colocadas no chão. Eu tenho certeza disso", disse Vera Lúcia. Segundo ela, a principal reivindicação da entidade é derrubar o atual limite de seis agentes voluntários da Pastoral em cada uma das cerca de 50 unidades prisionais do Estado do Rio. "Isso é muito pouco, e dificulta nosso trabalho", afirmou. Ela explicou que o ideal seria se cada uma das paróquias da Arquidiocese do Rio de Janeiro e das dioceses vizinhas pudesse manter seis agentes em cada unidade prisional. "É o que estamos pedindo para o governo estadual. O papa vem falando que temos que ter misercórdia. São argumentos que poderemos usar para tentar convencer as autoridades", disse a coordenadora.

A situação prisional brasileira é criticada por organismos internacionais e entidades de direitos humanos. Segundo dados do Ministério da Justiça, o País tinha 548 mil presos em dezembro de 2012, mas apenas 310 mil vagas no sistema prisional, somando todos os Estados. "Somos o quarto país no mundo no tamanho da população carcerária. As cadeias estão superlotadas, e as barreiras de atuação nesses locais ainda são muitas", reclamou Vera Lúcia. 

A atuação da Pastoral Carcerária é voltada tanto a proteger os direitos dos presos - levando doações quando necessários ou denunciando a má qualidade dos presídios, por exemplo - quanto de estimular a prática da religião católica entre os detentos. "Nós focamos a relação do preso com a família e com a religião. Quem tem esses dois pilares fortes, a certeza de uma recuperação após a saída da prisão é alta", afirmou.

Mais conteúdo sobre:
Papa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.