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‘Ênfase em recuperar a segurança é melhor’, diz ex-assessor colombiano contra as drogas

Luciano Bottini Filho - O Estado de S. Paulo

21 Maio 2014 | 22h 34

Daniel Mejía Londoño, especialista colombiano no combate às drogas, conta como seu país evoluiu para lidar com o narcotráfico

SÃO PAULO - Políticas de drogas devem ser julgadas pelos resultados, não por suas intenções. Esta opinião de Daniel Mejía Londoño, professor de Economia da Universidade dos Andes, o levou, no ano passado, a renunciar ao cargo de presidente de uma comissão de assessoramento de drogas do governo colombiano. Londoño estará nesta sexta-feira, 23, em São Paulo, em evento sobre os rumos da segurança pública nacional nos Fóruns Estadão Brasil 2018. Em entrevista ao Estado, ele comenta o que funciona ou não no combate ao narcotráfico.

O que a Colômbia pode ensinar ao Brasil sobre narcotráfico?

São realidades distintas. O problema em países como Colômbia, Guatemala e México são de produção e tráfico de drogas. No Brasil, os problemas estão mais no microtráfico, no mercado de drogas para o consumo interno, e nos grupos criminais que estão associados a uso de drogas. Mas o marco geral que nós temos trabalhado pode ajudar o Brasil a buscar alternativas. A ênfase colombiana em recuperar a segurança em vez de conter os fluxos de drogas é um caso de êxito.

No Brasil, fala-se que quando se pressiona o tráfico, aumentam os crimes patrimoniais. Qual seria a melhor abordagem?

Se tivesse que escolher reduzir os crimes violentos e os contra a propriedade ou o tráfico e as transações com drogas, eu priorizaria o primeiro. Pois isso é o que realmente afeta a sociedade. Para enfrentar o consumo de drogas, há que se implementar políticas de saúde pública com enfoque de direitos humanos, do lado da demanda do consumo de drogas. Porque o que vimos é que as políticas de redução da oferta de drogas terminam é gerando mais violência e mais incentivos para traficar drogas.

O que tornou a Colômbia bem-sucedida nesse caminho?

Foi fundamental dotar as organizações de inteligência policial com mais treinamento, mais formação e melhores equipe. E a Colômbia combateu de maneira contundente a corrupção dentro da polícia, que no país é uma organização de nível nacional. Se a polícia é corrupta, é praticamente impossível ser bem-sucedido.