Entidade quer intervenção internacional para resolver crise

Um dos perigos hoje na crise brasileira é de que medidas estejam a mercê de interesses políticos, diz Ifatca

Jamil Chade, Estadão

22 Julho 2007 | 19h06

O governo brasileiro precisa, com urgência, aceitar uma intervenção internacional para começar a resolver a crise aérea que o País atravessa. A avaliação é da Federação Internacional dos Controladores Aéreos (Ifatca, sigla em ingles). A entidade insiste que o governo brasileiro "não tem a capacidade" nesse momento de dar um fim aos problemas sem a ajuda da comunidade internacional, já que está "preso" em um debate politico interno e tentando equilibrar as necessidades de reforma com o próprio poder da Aeronáutica.   Veja também: Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054     "Chegou o momento de o governo aceitar que o plano de reforma precisa ser proposto e elaborado fora do Brasil. Outros países já fizeram isso e funcionou. Essa é a única forma de garantir que o plano seja aceito politicamente todos e que, de fato, escute e leve em conta todas as partes interessadas no processo", alertou Marc Baumgartner, presidente da entidade e controlador no aeroporto de Genebra.   "O Brasil precisa entender que um apagão aéreo ocorre em um país a cada 15 anos. Não uma vez por mês", afirmou o presidente da Ifatca. Para ele, o tema já se tornou uma preocupação internacional, já que empresas aéreas de todo o mundo tem sua própria reputação colocada em risco quando voam ao Brasil. "Uma empresa estrangeira não se pode dar o luxo de ter sua imagem arranhada por um acidente", afirmou.   "A sugestão que estamos dando é para que o governo apele a entidades ou consultorias internacionais para que criem um plano de ação. Esse programa seria elaborado ouvindo todos : pilotos, empresas, aeroportos, passageiros e controladores", explicou o presidente da Ifacta. "Uma vez concluído, todos teriam de seguir as recomendações, inclusive o governo", afirmou.   Para Baumgartner, outra vantagem do plano ser elaborado no exterior é o de que sera "politicamente neutro". "Um dos perigos hoje na crise brasileira é de que medidas estejam a mercê de interesses políticos. Só um plano de ação vindo do exterior é que pode sair dessa lógica da política doméstica de um país", disse.   O presidente rejeita a tese de que seria uma violação â soberania do País. "Muitos governos já fizeram isso no passado, inclusive o governo da Suíça depois do acidente em 2003 entre dois aviões no país", explicou Baumgartner.

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