Ed Ferreira/AE-17/8/2011
Ed Ferreira/AE-17/8/2011

Escolhido já fez piada com partido em programa de TV

Ao CQC, Gastão Vieira chamou PMDB de 'traíra' e disse que, na sigla, 'todo mundo manda e ninguém obedece' à direção

Gabriel Manzano e Tânia Monteiro/BRASILIA, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

Maranhense de São Luís, 65 anos, o novo ministro, o advogado Gastão Dias Vieira, é um dos veteranos do Congresso: está em seu quinto mandato como deputado federal. Ligado ao presidente do Senado, José Sarney, Vieira é peemedebista desde 1985 - com um intervalo, entre 1990 e 1994, no PSC - e entre 1990 e 1998 foi secretário do Planejamento e da Educação no governo do Maranhão.

Ao deixar a reunião com a presidente Dilma Rousseff, ontem à noite no Planalto, ele disse, por telefone, que está "feliz com a solidariedade prestada pela bancada do PMDB". Mas uma outra referência sua ao partido, numa recente entrevista ao CQC, da Band, tinha sido bem menos amistosa: "No PMDB todo mundo manda, ninguém obedece e cada um fez o que quer." Na mesma atração, ele disse que o partido era "traíra".

Segundo contou, na conversa com a presidente, que durou cerca de uma hora, ela lhe pediu "atenção e muita preocupação" com os preparativos da Copa do Mundo e recomendou que mantenha articulação com outros ministérios. Político de respostas rápidas, detalhista, ele tem presença constante no Facebook e no Twitter, onde divulga suas atividades.

Suas ligações com São Paulo são marcantes: ele teve em 2009 um cargo na diretoria da Fiesp e, na sua campanha a deputado, no ano passado, recebeu duas doações de peso, ambas no valor de R$ 100 mil - uma do Colégio Objetivo e outra da Rádio Mix FM.

Vieira não se preocupa com iniciativas do passado que possam ser agora cobradas. Como a decisão, ao assumir a Secretaria de Planejamento maranhense, de continuar, segundo o site Transparência Brasil, a usar seu apartamento funcional na Câmara, em Brasília. Ele garantiu que tinha sido autorizado "em caráter excepcional". Ali viviam suas duas filhas. E uma delas chegou a ser empregada como comissionada da Câmara. Ficou no cargo até ser exonerada, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a prática de nepotismo.

Outros nomes. Antes de bater o martelo no nome de Vieira, o PMDB ofereceu ao Planalto uma lista de nomes - mas eles esbarraram em problemas passados. Prefeito três vezes da pequena Pedras de Fogo, a 45 quilômetros de João Pessoa, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) teve o nome citado por uma testemunha durante a CPI do Extermínio da Câmara. Manoel teria sido o suposto mandante de um assassinato. "Tenho toda a minha vida limpa. Não tenho nenhuma mácula na minha conduta de cidadão", garantiu.

Outro nome defendido pela bancada foi o do deputado Marcelo Castro (PI), o preferido do líder do partido, Henrique Alves (RN). Mas sua indicação se esvaziou porque seu nome foi citado na Operação Voucher, da Polícia Federal, como autor de emendas suspeitas para o turismo. /COLABORARAM EUGÊNIA LOPES E VANNILDO MENDES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.