Especialistas destacam apenas ''o novo clima''

O que precisava ser feito foi feito: recriar um clima favorável e sinalizar as relações entre Brasil e Estados Unidos numa direção que interessa aos dois lados. Essa avaliação, de que "vale o simbolismo" da visita, e não tanto discursos ou acordos na economia, é partilhada por vários estudiosos da política externa. "Havia um estranhamento e a viagem alterou o clima", resume a professora Maria Hermínia Tavares, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP. "Valeu a sinalização de novas direções, feita por Obama. Pois a política real dos EUA é um outro mundo", acrescenta Reginaldo Nasser, que ensina Política Internacional na PUC-SP.

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

22 Março 2011 | 00h00

E o professor Antonio Carlos Lessa, do Instituto de Relações Internacionais da UnB, em Brasília, sintetiza: "Foi feito simplesmente o que era preciso: normalizar as relações entre os dois".

A passagem de Obama pelo Brasil, para Maria Hermínia, teve um único detalhe negativo: "Podia ser melhor se ele não tivesse autorizado o envolvimento americano no ataque à Líbia justamente num país que se absteve de votar esse ataque, no Conselho de Segurança da ONU". De concreto, acrescenta, "há mais boa vontade para levar adiante discussões comerciais. Mas não só as comerciais".

Antonio Carlos Lessa, da UnB, confessa que "esperava mais" de Obama na questão do assento permanente do Brasil no CS da ONU. "Pelo menos uma posição tão avançada quanto a que a Índia conseguiu - o que não aconteceu". Os acordos comerciais, destaca ele, "foram pequenos, sobre assuntos pequenos. De importante ficou o processo".

Ceticismo. Reginaldo Lessa, da PUC paulista, se diz cético quanto a viagens e encontros desse tipo entre líderes nacionais. "Um dia, se puder, vou fazer um levantamento para saber quando alguma viagem dessas resultou em uma novidade importante", brinca o professor.

"A vida real, política e econômica, nos EUA, transcorre num plano bem diverso. Lá existe um Congresso com força para dizer não a um presidente, coisa que aqui não se vê", lembra ele. Assim, atos e decisões da administração passam por muitos lobbies e comissões antes de se transformarem em decisões. Lessa menciona o belo discurso que Obama fez no Cairo, em 2009. "O que se viu depois? Que os EUA continuaram apoiando Mubarak." Ele menciona ainda Jesse Helms, presidente do Senado nos anos 90, "que negava em Washington, no dia seguinte, coisas que Bill Clinton estava negociando em sua visita ao Brasil."

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