Estatais paulistas deram abrigo a aliados de outros Estados

Indicados do Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Pará confirmam ter feito parte do segundo escalão na gestão de José Serra

Julia Duailibi e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

15 Março 2011 | 00h00

As empresas estatais de São Paulo, que têm políticos e quadros do PSDB em seus conselhos de administração, abrigaram até ex-parlamentares tucanos de outros Estados durante a gestão de José Serra.

Um deles foi o ex-senador Geraldo Melo, do Rio Grande do Norte, ex-conselheiro da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Segundo Melo, o motivo de ter aceitado o cargo não foi a remuneração de conselheiro. "A vida me deu suficiente para eu não precisar dos R$ 3 mil. Na época, me disseram que havia uma dificuldade da autoridade superior de saber o que acontecia nas empresas. O governador precisava ter em cada lugar uma pessoa da confiança dele. Foi esse o tom", afirmou.

Melo disse que pediu para sair do conselho da empresa ao ficar "desconfortável com muitos assuntos dos quais não estava inteirado". "Em determinado momento, as decisões ficaram muito complexas, e pedi para sair."

O ex-senador Antero Paes de Barros, do PSDB de Mato Grosso e jornalista de formação, foi indicado no governo Serra para atuar no conselho da Sabesp, empresa estadual de saneamento.

Antero ocupou o conselho entre 2007 e 2009. Disse que, durante esse período, quando precisava ir a São Paulo participar das reuniões, recebia cerca de R$ 4.200 e pagava do próprio bolso as passagens e hospedagem. "O conselho da Sabesp não é de faz de conta. Eu dava uma ou outra colaboração. Era um debate tão de alto nível que a colaboração surgia", afirmou.

O atual governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), que tem formação de economista, ocupou um cargo no conselho da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), uma das maiores geradora de energia elétrica do País.

Procurado pelo Estado, Jatene respondeu, por meio de sua assessoria, que por já ter ocupado vários cargos públicos, tem "experiência administrativa plenamente compatível com o cargo para o qual foi convidado".

Ney Lopes, ex-deputado do DEM do Rio Grande do Norte, foi contemplado com um cargo na Cetesb, companhia ambiental do Estado. Ele disse que recebe da empresa R$ 2.800 por reunião, além de passagens aéreas entre Natal e a capital paulista.

O secretário estadual de Energia, José Aníbal, negou ter convidado Cláudia Toni, ex-diretora da Orquestra Sinfônica de São Paulo, para o conselho de administração da Emae, diferentemente do que informou a reportagem do Estado ontem. A informação foi dada na semana passada pela própria conselheira, também assessora da presidência da TV Cultura. Procurada ontem, ela não respondeu aos recados deixados pelos repórteres.

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