Binghamton University/Reprodução
Binghamton University/Reprodução

Estudante brasileiro é morto a facadas em universidade dos EUA

João Souza, de 19 anos, foi atacado na noite de domingo, 15, no dormitório da Universidade de Binghamton, no Estado de Nova York; um estudante suspeito pelo crime foi detido, mas nega participação

Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 03h56
Atualizado 17 Abril 2018 | 17h49

SÃO PAULO – O bom humor e o talento para o futebol são as características mais atribuídas por amigos ao brasileiro João Vitor Alves de Souza, de 19 anos. Estudante calouro de Engenharia, o jovem foi morto na noite de domingo, 15, dentro do dormitório em que vivia na  Universidade de Binghamton, no Estado de Nova York, próximo à fronteira com a Pensilvânia.

Este foi o segundo assassinato de uma estudante da instituição nas últimas cinco semanas. Segundo a rede americana ABC, a família de Souza vive no Brasil

O principal suspeito do caso foi detido na noite de segunda-feira, 16, mas o também estudante Michael M. Roque, de 20 anos, negou a autoria do crime. Imagens divulgadas pela Universidade de Binghamton mostram um homem com características semelhantes às de Roque entrando no quarto de Souza, utilizando roupas prestas, luvas e com o rosto escondido por um capuz. O ataque ocorreu por volta das 22h30 no horário local. 

Segundo o chefe de polícia da universidade, Timothy Faughnan, o brasileiro foi encontrado "seriamente machucado" com feridas que aparentemente feitas com faca. O jovem chegou a ser levado a um hospital, de acordo com o jornal The New York Times

Os investigadores acreditam que o crime foi premeditado. "Acreditamos que o ataque não foi aleatório e a vítima era o alvo", declarou o vice-presidente da universidade, Brian Rose.

Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que o plantão consular do Consulado-Geral do Brasil em Nova York acompanha o caso.  "O Consulado mantém contato com amigos e familiares do cidadão brasileiro, a fim de prestar-lhes assistência consular quanto a providências a serem tomadas e documentos a serem produzidos", informou.

O estudante Wen Zhong Xun, que se identifica como companheiro de quarto do brasileiro, disse ter presenciado o crime e usou as redes sociais para se manifestar.

"Eu conhecia João como um ser humano muito gentil e atencioso. Ele não merecia isso. Sinto muito por ele e sua família. Eu gostaria de ter feito mais para ajudar", diz. Segundo Xun, o brasileiro gritou pedindo ajuda e entrou em seu quarto para fugir do agressor, que o perseguiu. 

"Minha namorada e eu testemunhamos meu companheiro de quarto sendo impiedosamente e brutalmente esfaqueado e assassinado em nosso dormitório por um atacante mascarado. Nós o ouvimos gritando e gritando por ajuda de fora do nosso quarto. Quando abrimos a porta, meu companheiro, já esfaqueado, veio correndo. De trás dele, vi o atacante mascarado perseguindo-o. Tentei fechar a porta, mas o agressor me dominou e entrou em nosso quarto", relata o aluno.

"Nós três ficamos presos com um assassino psicótico. Ele estava armado com uma faca e meu companheiro tinha sangue nas feridas. Não conseguia acreditar que isso estava realmente acontecendo e achei que era algum tipo de brincadeira. Nunca estive tão assustado ou chocado na vida. Entrei em pânico e peguei uma cadeira para tentar me defender. O agressor exigiu que eu e minha namorada ficássemos no quarto. Felizmente nós corremos e escapamos do dormitório e o atacante não nos perseguiu", conta Xun. 

 

Outro crime. A estudante de Enfermagem Haley Anderson, de 22 anos, foi encontrada morta em uma residência fora do campus da Universidade de Binghamton em 9 de março. O corpo da jovem apresentava sinais de estrangulamento. 

Segundo o jornal The New York Times, não há indicação de que o caso tenha relação com a morte do brasileiro, pois o principal suspeito de ter matado a jovem (o também estudante de Enfermagem Orlando Tercero) fugiu para a Nicarágua antes da morte do brasileiro. 

O presidente da universidade, Harvey G. Stenger, declarou que os dois casos são a "definitivamente a coisa mais difícil que tem enfrentado" no local. "Infelizmente, nós vivemos em um tempo no qual a violência é parte da sociedade e, como um campus com mais de 17 mil estudantes e milhares de funcionários, há ocasiões em que a violência irá adentrar o campus", informou o The New York Times.

Perfil. Nas redes sociais, estudante Sammy Landino afirmou ter sido o primeiro a se aproximar de Souza quando o brasileiro ingressou na escola Blind Brook High School,  em setembro de 2012. "Eu te mostrei os armários, te apresentei às pessoas, te ajudei a se enturmar. Nós éramos amigos", escreveu em texto direcionado ao amigo.

"Nós continuamos próximos, você era 'o menino brasileiro dos sonhos', a estrela do futebol, você era um homem contagioso com um sorriso contagioso, um dos melhores do Blind Brook", completou. 

Também ex-colega de Souza, Jake Wynn escreveu: "Descanso em paz para um dos melhores, o mais original que eu já conheci na vida. Todos nós sentiremos sua falta". Já o estudante Bryan Weintraub chamou o brasileiro de um "amigo verdade" e "grande homem". "Ele sempre estará conosco", postou.

Em sua página oficial, o New York Soccer Club lamentou a morte do garoto, que jogou na equipe entre 2014 e 2016. O ex-treinador de Souza, Christian Gonzalez, publicou uma foto do garoto nas redes sociais. 

"Eu gostaria de manifestar as minhas mais sinceras condolências pela trágica morte de João. Como integrante do 98's, João não foi apenas um jogador da NYSC, mas um torcedor da NYSC. João foi um amigo e um grande jovem que vai fazer muita falta. Meus pensamentos e orações estão com a família de Souza", escreveu./Com informações da AP

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