EUA devem criar órgão especial para o Brasil

Para ex-embaixadora, Departamento de Estado americano precisa reforçar laços com Planalto e formular escritório voltado aos brasileiros

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE

WASHINGTON

A saída de Arturo Valenzuela da área de Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, amanhã, deve abrir a chance de criação de um escritório especial para o Brasil no órgão comandante da diplomacia americana.

A perspectiva dessa mudança de patamar dos assuntos brasileiros no governo americano foi apontada ontem pela ex-embaixadora dos Estados Unidos em Brasília Donna Hrinak e por Julia Sweig, diretora do Council on Foreign Relations. Para ambas, se faz necessária uma maior formalização das relações entre os dois países e o entendimento, por parte do governo dos EUA, de que o Brasil não se resume apenas a um líder regional.

As ponderações de Donna e Julia surgiram na sequência da divulgação do estudo "EUA Devem Desenvolver uma Parceria Madura e Forte com o Brasil", elaborado pelo Council on Foreign Relations (CRF), entidade respeitada em Washington e influente no Departamento de Estado e na Casa Branca.

As duas especialistas em Brasil tomaram parte da formulação do estudo. Para Hrinak, a criação desse escritório concentrado no Brasil seria um "sinal importante" para enfatizar a relevância dada aos EUA a essa relação bilateral. Da mesma forma como o apoio ao ingresso do País ao Conselho de Segurança como membro permanente - também recomendado pelo estudo.

"É a coisa certa a fazer, que significaria uma mudança na capacidade de os dois países se entenderem e dialogarem", afirmou Julia Sweig. "Mais importante é haver maior institucionalização das relações entre os dois países. Ainda há muitas conversas informais entre os ministros e as autoridades. É preciso elevar o padrão desse diálogo", completou Donna Hrinak.

As especialistas em Brasil desviaram-se da qualificação da presidente Dilma Rousseff como uma governante fraca. Para Julia Sweig, Dilma está claramente mais voltada para a agenda doméstica, lidando ainda com a demissão de dois de seus principais ministros por causa de escândalos, com os desafios macroeconômicos e com as obras de infraestrutura para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Para Donna Hrinak, mais do que agir como mediador dos EUA com os países latino-americanos, o Brasil de Dilma atuará como exemplo vivo sobre como elevar o padrão de vida da população.

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