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#EuNãoMereçoSerEstuprada cria página para denunciar agressores

Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo

03 Abril 2014 | 18h 29

Mulheres que participaram de protesto virtual em repúdio ao resultado da pesquisa do Ipea foram ameaçadas nas redes sociais; Tumblr convoca a tirar prints das acusações

Depois de serem ameaçadas e ofendidas nas redes sociais, as mulheres do movimento #EuNãoMereçoSerEstuprada criaram um Tumblr em que denunciam os agressores. A página convoca as mulheres a tirar prints do perfil de quem as ameaça e das acusações.

Na sexta-feira passada, mulheres de todo o Brasil fizeram um protesto no Facebook contra o resultado da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que mostra que 65% dos brasileiros acham que mulher que mostra o corpo merece ser estuprada. Em meio às manifestações, homens e mulheres postaram fotos ironizando o protesto e ameaçando as manifestantes. A página saiu do ar pouco antes das 23 horas.

"Amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea e experimentei na pele sua fúria. Homens me escreveram ameaçando me estuprar se me encontrassem na rua, mulheres escreveram desejando que eu fosse estuprada", afirmou a organizadora do protesto, a jornalista Nana Queiroz, na manhã seguinte ao protesto. A intenção dela era reunir todas as ameças recebidas pelas pessoas que participaram do ato e levá-las à Polícia.

Entre as denúncias no Tumbler estão comentários de pessoas que defendem que mulheres devem ser estupradas e agredidas e que homens têm o direito de fazer o que quiserem com o corpo delas.

Protestos. Manifestações contrárias ao resultado da pesquisa do Ipea e em repúdio às ameaças estão sendo organizados no País. Na quarta-feira, 2, um ato no Metrô de São Paulo reuniu 20 pessoas.

No Rio de Janeiro, está programado um protesto no domingo, 6, em frente ao Posto 6 de Copacabana. O evento é denominado "Ato dos 35" porque, de acordo com os organizadores, representa os 35% que não concordam com o resultado da pesquisa do Ipea que mostra que 65% merecem ser estupradas.