Tasso Marcelo/AE
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Ex-diretor da Petrobrás contesta Dilma

Segundo Ildo Sauer, o governo Lula já sabia da existência do pré-sal quando realizou rodada de licitações em 2006

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2010 | 00h00

Diretor da Petrobrás nos primeiros anos de governo Lula, o professor Ildo Sauer contesta as declarações da candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, a respeito do setor de petróleo no debate de anteontem. Segundo ele, o governo já sabia da existência do pré-sal quando realizou a 8.ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2006, com a venda de áreas na maior bacia petrolífera brasileira.

Ele lembra que o primeiro poço do pré-sal foi anunciado em 2005, batizado de Parati. Já a primeira descoberta de Tupi foi feita em julho de 2006, quatro meses após a realização do leilão. "Junto com a comunicação da ANP, em 10 de julho de 2006, o governo foi avisado que o modelo geológico longamente estudado revelou-se concreto", contou Sauer. "Mesmo assim, a ANP disse que queria acelerar a venda de blocos."

Liminar. Durante o debate, Dilma afirmou que o governo suspendeu todas as licitações após a descoberta do pré-sal. A declaração foi feita em resposta a um questionamento do candidato tucano, José Serra, que afirmou que durante o governo PT a Petrobrás concedeu áreas de exploração de petróleo para 108 empresas privadas. "Se isso (conceder áreas petrolíferas) é privatizar, o que ela mais fez é privatizar petróleo", acusou Serra.

A 8.ª Rodada de Licitações, realizada depois de duas descobertas do pré-sal, ofereceu uma série de blocos no entorno de Tupi, maior descoberta brasileira de petróleo, mas foi suspensa por liminar judicial logo após a primeira manhã de ofertas.

Sauer lembra que a modelagem do leilão limitava o número de ofertas da Petrobrás, "para evitar o retorno do monopólio", o que motivou os pedidos de liminar.

Antes da liminar, a italiana Eni comprou uma área do pré-sal perto de Tupi, pela qual pagou R$ 303 milhões. A empresa, porém, ainda não recebeu a concessão, uma vez que o governo ainda não decidiu sobre o futuro do leilão.

Em 2007, após uma série de novas descobertas no pré-sal, o governo decidiu retirar 41 áreas do pré-sal da lista de ofertas da 9.ª rodada de licitações da ANP, mas manteve o leilão de blocos tidos por Sauer como promissores por estarem "nas franjas do pré-sal".

Reação. O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, comentou ontem que o candidato Serra cometeu um "erro crasso" ao afirmar, durante o debate, que a Petrobrás vendeu as áreas para empresas privadas.

"A concessão é uma responsabilidade do governo, e que está regulamentada na lei das concessões. Não é nunca foi e não se pretende que seja uma função da Petrobrás", comentou em rápida entrevista ao deixar o auditório onde foram escolhidos os 44 projetos que receberão R$ 78,2 milhões para serem desenvolvidos em 2011. / COLABOROU KELLY LIMA

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