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Ex-médico Roger Abdelmassih é preso no Paraguai

O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2014 | 15h 29

Chegada a São Paulo está prevista para as 13h desta quarta, de onde deve, então, ser enviado para a Penitenciária de Tremembé

Atualizada às 22h08

Um dos homens mais procurados do País, o ex-médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, condenado a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes, foi capturado nesta terça-feira, 19, às 13h35, em Assunção, no Paraguai. Foragido desde 6 de janeiro de 2011, ele vivia havia três anos no país vizinho.

Um dos maiores especialistas em fertilização in vitro do Brasil, o ex-médico foi preso quando buscava os dois filhos pequenos na escola. Estava acompanhado pela mulher e mãe da crianças, Larissa Maria Sacco, de 37 anos. Três carros com policiais da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), do Paraguai, cercaram o foragido. A polícia do país vizinho era apoiada por homens da Polícia Federal (PF) brasileira.

EFE
Documentos mostraram que empresas de fachada foram usadas por Abdelmassih para lavar dinheiro e transferir quantias para o exterior

Surpreso, Abdelmassih não reagiu. “Não esboçou reação, a não ser no rosto, com as feições paralisadas e boca aberta”, contou o delegado Marcos Paulo Pimentel, da PF. O ex-médico só quis saber o que aconteceria com a mulher, pois alguém teria de cuidar das crianças.

Abdelmassih, por quem o governo de São Paulo oferecia R$ 10 mil de recompensa por informações que levassem à sua captura, figurava na chamada “difusão vermelha” da Interpol - o índex dos criminosos mais procurados do mundo. Ele morava em uma casa em Villa Morra, bairro de classe alta da capital paraguaia onde o presidente daquele país, Horácio Cartes, tem uma residência.

Depois da prisão, o ex-médico foi levado à sede do departamento de imigração daquele país. Ali, o foragido novamente perguntou pelo destino da mulher, ex-procuradora da República com quem se casou depois que as investigações contra ele já haviam começado no Brasil.

Abdelmassih e Larissa usavam em Assunção, segundo a PF, documentos falsos. De acordo com Francisco Ayala, diretor de Comunicação da Senad paraguaia, a “condição de imigrante ilegal em território paraguaio facilitou a expulsão do ex-médico” do país.

Escoltado por policiais armados com fuzis e vestindo um boné, ele foi levado para o aeroporto de Assunção, onde, às 15h30 desta terça, foi colocado em um avião da força aérea paraguaia, que levou o foragido até Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. Dali, o ex-médico foi conduzido pelos agentes federais até Foz do Iguaçu, no Paraná, onde devia passar a noite. A chegada a São Paulo estava prevista para as 13 horas desta quarta. Abdelmassih deve, então, ser enviado para a Penitenciária de Tremembé. 

Abdelmassih começou a ser investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE) em 2008. Acabou acusado de 56 estupros contra 37 vítimas - todas pacientes do então médico, que abusaria das mulheres que recorriam à sua clínica para engravidar. “Uma avalanche de fatos absolutamente repulsivos e, não por outro motivo, as vítimas descreveram as sensações que possuem em relação ao mesmo como dor, raiva, asco, nojo, humilhação e medo”, escreveu a juíza Kenarik Boujikian Felippe, na sentença que o condenou em novembro de 2010.

Em 2009, o ex-médico chegara a ser preso, mas acabou solto no fim daquele ano por uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A 16.ª Vara Criminal de São Paulo decidiu, em 2011, decretar novamente sua prisão, depois que o então médico pediu a renovação de seu passaporte - para a Justiça, era um indicativo de que pretendia fugir.

“Ele fugiu quando o caso ainda estava em primeira instância, claramente para evitar o cumprimento da punição penal”, afirmou o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa.

Defesa. Os advogados de Abdelmassih, Márcio Thomaz Bastos e José Luis Oliveira Lima, informaram, por meio de nota, que aguardam “o julgamento da apelação interposta perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo contra a decisão que o condenou, portanto, a decisão não transitou em julgado, bem como do habeas corpus em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal”. Em relação à prisão, os criminalistas afirmaram que não iriam se manifestar. / ARIEL PALACIOS, BRUNO RIBEIRO, FABIO FABRINI, FAUSTO MACEDO, MARCELO GODOY e JOANA LOPES, ESPECIAL PARA O ESTADO