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Ex-oficial da PM é ouvido sobre morte do cabo Gonçalves

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2009 | 17h 37

Em Maceió, ex-tenente coronel, Manoel Francisco Cavalcante é acusado de chefiar gangue de farda

O ex-tenente coronel da Polícia Militar de Alagoas, Manoel Francisco Cavalcante, deve prestar depoimento nesta terça-feira, 15, à Justiça, no Fórum do Barro Duro. No depoimento, aos juízes da 17ª Vara Criminal da Capital, Cavalcante vai ser questionado sobre o assassinato do ex-cabo PM José Gonçalves da Silva Filho, ocorrido em 1996.

 

Nos final do anos 90, Cavalcante foi acusado de chefiar a gangue fardada, uma quadrilha composta por policiais militares e civis, responsável por vários crimes de pistolagem, assaltos, roubo e desmanche de carros. O ex-coronel nega as acusações, mas está preso desde janeiro de 1998.

 

No depoimento desta segunda-feira, ao juiz Maur cio Breda, da 7ª Vara Criminal, Cavalcante pode confirmar a participação de dois deputados estaduais - João Beltrão (PRTB) e Antônio Albuquerque (PT doB), como mandantes do assassinato do ex-cabo Gonçalves.

 

Os dois parlamentares já foram presos pelo crime, em julho de 2008, durante a Operação Ressurgere (ressurreição, em Latim), da Polícia Civil de Alagoas. A prisão dos parlamentares se deu com base num depoimento sigiloso de Calvancante aos juízes da 17ª Vara Ccriminal. Nesse depoimento, o ex-oficial da PM acusa Beltrão e Albuquerque como mandantes do crime.

 

O ex-cabo Gonçalves, que tinha sido expulso da PM por envolvimento com pistolagem, foi morto próximo a um posto de combustíveis, na Via Expressa, na periferia de Maceió. Ele foi executado com vários tiros de pistola e metralhadora. Antes de morrer, quando esteve preso, Gonçalves acusou Calvancante de realizar vários crimes, a mando do deputado João Beltrão e outros políticos do Estado.

 

Manoel Cavalcante já prestou depoimento em juízo sobre o caso. No ano passado, ele chegou a falar que os mandantes do crime seriam os deputados Antônio Albuquerque e João Beltrão. Segundo Cavalcante, o deputado federal Chico Tenório (PMN) também teria ligação com o assassinato do exc-cabo Gonçalves. De acordo com o líder da gangue fardada o crime foi tramado na fazenda do deputado Antônio Albuquerque, em Limoeiro de Anadia, a 108 quilômetros de Maceió.

 

Transferência

 

Cavalcante foi transferido do Rio de Janeiro para Alagoas na madrugada da última quarta-feira (9/12). Ele cumpria pena no Presídio Bangu Seis, mas entrou com um recurso na Justiça, pedindo a transferência para Alagoas. A Justiça só autorizou a transferência para o presídio de Alagoas, porque Cavalcante redigiu um documento, de próprio punho, responsabilizando-se por sua própria segurança, durante a sua permanência no presídio Baldomero Cavalcanti, na periferia de Maceió.

 

Segundo o juiz da Vara de Execuções Penais, George Omena, Cavalcante está em uma cela comum e não vai ter direito a segurança especial. O magistrado ainda disse que caso o detento ofereça algum risco à sociedade ou aos demais presos poderá voltar ao Presídio de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná, onde já esteve preso no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).