Mônica Zarattini/AE-5/5/2006
Mônica Zarattini/AE-5/5/2006

Ex-prefeito acusado de propina é preso em Jandira

Paulo Bururu (PT) foi preso em flagrante em casa, onde policiais e promotores encontraram armas e documentos de imóveis não declarados à Receita

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

Empresas ligadas à chamada máfia da merenda pagaram cerca de R$ 1,5 milhão em propinas para a administração petista de Jandira, na Grande São Paulo. O dinheiro era entregue pessoalmente ao então prefeito Paulo Bururu (PT), que foi preso ontem em flagrante sob a acusação de porte ilegal de armas. Ele nega.

Às 6 horas de ontem, policiais e promotores do Ministério Público Estadual (MPE) revistaram a casa de Bururu e de outras quatro pessoas. Na casa do ex-prefeito, em um condomínio em Jandira, os promotores acharam US$ 7,3 mil, uma pistola, uma espingarda e documentos de imóveis que seriam de Bururu, mas que não foram declarados à Receita Federal.

Para os promotores, a corrupção em Jandira passou da administração petista para a dos tucanos, chefiada por Braz Paschoalin (PSDB). Ele foi assassinado em 10 de dezembro, segundo a polícia, a mando de dois ex-secretários da cidade. Paschoalin teria recebido R$ 224.522,27 de propina para liberar o pagamento de R$ 850.463,16 devidos pela prefeitura da cidade à empresa SP Alimentação, que forneceu merenda à Jandira até 2009.

O esquema da merenda escolar foi descoberto na investigação sobre o suposto cartel do setor feita pelos promotores Silvio Antônio Marques, da Defesa do Patrimônio Público e Social, e Arthur Pinto de Lemos Junior, do Grupo de Atuação Especial e Repressão à Formação de Cartéis e Lavagem de Dinheiro (Gedec). Eles obtiveram grampos telefônicos que mostravam o diretor de uma das empresas - a Verdurama - negociando propinas.

Tratava-se de Genivaldo Marques dos Santos. Confrontado com as provas, Santos decidiu cooperar em 2010. Foi ele quem revelou a suposta atuação do empresário Paulo Ribeiro, cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em favor das empresas de merenda. Ribeiro nega.

Santos revelou ainda que o diretor financeiro da empresa Goumaitre, Silvio Marques, guardava em sua casa documentos comprometedores. Eram memorandos com a assinatura do empresário Eloizo Durães, dono da SP Alimentação, supostamente liberando pagamentos de propina para Bururu. Além disso, havia planilhas com o controle dos pagamentos. Os documentos foram apreendidos. Eles e o depoimento de Marques serviram de base para as buscas de ontem.

Santos disse que a SP Alimentação - que seria a controladora das empresas Verdurama e Gourmaitre - financiou a campanha de Bururu em 2000. Em 2005, a merenda foi terceirizada na cidade. Para tanto, Bururu teria recebido R$ 150 mil em três parcelas. O dinheiro foi entregue por Santos em um posto de gasolina da Rodovia Castelo Branco.

Mensalmente, o petista receberia 10% do valor do contrato. O número de refeições era inflado para aumentar os pagamentos. Para bancar a campanha de Júlio Eduardo de Lima (PT) à prefeitura em 2008, a saída foi reajustar o contrato da merenda, para cobrir os custos.

Segundo Santos, como a SP Alimentação lhe deu só R$ 3 mil para a campanha de Paschoalin, este resolveu romper o contrato depois de eleito. Antes, porém, ganhou um Corolla blindado de Santos de R$ 60 mil. A testemunha disse que registrou o carro em nome de uma de suas empresas, a L&S. No dia em que morreu, o veículo teve o pneu furado, Paschoalin saiu em um Fiesta sem blindagem e foi metralhado. A polícia tentou apreender o Corolla ontem na casa da família de Paschoalin, mas não o achou./ COLABOROU FAUSTO MACEDO

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