Ed Ferreira/AE
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Ex-procurador do DF e promotora viram réus

TRF decide que Leonardo Bandarra, Deborah Guerner e o marido dela, Jorge Guerner, responderão por tentativa de extorsão contra ex-governador Arruda

Mariângela Gallucci, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2011 | 00h00

Desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.ª Região, sediado em Brasília, decidiram ontem abrir um processo criminal contra a promotora Deborah Guerner, o marido dela, o empresário Jorge Guerner, e o ex-procurador de Justiça do Distrito Federal Leonardo Bandarra por suspeitas de que eles teriam tentado extorquir o ex-governador José Roberto Arruda (DEM à época, atualmente sem partido).

De acordo com a denúncia aceita pela Corte Especial do TRF, eles e outros três réus teriam participado de um esquema para tentar coagir Arruda a pagar R$ 2 milhões. Em troca, não seria divulgado um vídeo no qual ele aparecia recebendo dinheiro do delator do esquema do mensalão do Distrito Federal, Durval Barbosa. Além dos Guerner e de Bandarra, tornaram-se réus no processo Durval Barbosa, o pivô do escândalo do esquema que ficou conhecido como Mensalão do DEM, o engenheiro Marcelo Carvalho e a servidora Claudia Marques.

Um dos pontos altos do julgamento foi a própria Deborah Guerner. No início da sessão, ela gritou no plenário, atrapalhando os desembargadores e foi repreendida pelo presidente do Tribunal, Olindo Menezes. Duas horas depois, Deborah deixou a sala acompanhada do marido e de um dos advogados do casal.

A promotora afirmou que seu marido estava passando mal e disse que ele tinha sofrido um princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC) nos últimos dias. Enquanto o grupo se deslocava para o departamento médico, que fica em outro prédio do TRF, Deborah demonstrou nervosismo. "Eu sei que ele vai morrer de tanta injustiça", disse.

Em seguida, na rua que separa os dois prédios do TRF, ela começou a cair lentamente, dando a impressão de ter desmaiado. A promotora foi carregada para o posto médico. Um advogado do casal comunicou que os dois ficariam em observação no departamento médico do tribunal. Ela, por causa do desmaio. Ele, por causa de um problema de pressão arterial.

Provas. No julgamento, a relatora Mônica Sifuentes apresentou imagens gravadas pelo circuito interno da residência dos Guerners para provar as suspeitas de crime. A desembargadora concluiu que existem indícios de delito e, por esse motivo, a denúncia deveria ser recebida e um processo criminal deveria ser aberto. "Estou convicta de que todos os denunciados, cada um na medida de sua culpabilidade, se não estão diretamente envolvidos, têm, no mínimo, pelo menos, explicações a dar sobre o que foi narrado na peça acusatória", disse.

Essa não é a primeira derrota de Deborah no TRF. Em junho, os desembargadores concluíram que a promotora não tem insanidade mental e, portanto, pode responder por supostos crimes. Junto com o marido, ela ficou presa por oito dias na Superintendência da Polícia Federal sob a acusação de tentar atrapalhar o processo, simulando um suposto estado de insanidade mental.

PARA LEMBRAR

Caso derrubou governador

O esquema que ficou conhecido como "mensalão do DEM" foi revelado em 2009 pelo ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal Durval Barbosa, mediante acordo de delação premiada. Segundo seu relato, entre 2000 e 2010, teriam sido desviados cerca de R$ 4,2 bilhões dos cofres públicos do governo da capital federal.

O esquema envolvia 5 empresas e 14 autoridades, entre as quais o então governador José Roberto Arruda (na época filiado ao DEM), secretários de seu governo e quatro deputados. Os integrantes são acusados de fraude em licitações e superfaturamento de preços para extrair propinas que foram destinadas a gastos pessoais, enriquecimento ilícito e financiamento de campanha.

Em um vídeo, Arruda apareceu recebendo R$ 50 mil de Barbosa. Ele alegou que o dinheiro teria sido usado na compra de panetones para a distribuição no Natal para a população carente.

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