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Ex-segurança da boate Kiss diz que extintor foi manuseado dias antes

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 20h 25

Justiça de Santa Maria começou a colher os depoimentos de testemunhas da tragédia, que provocou a morte de 242 pessoas

PORTO ALEGRE - A Justiça de Santa Maria começou a tomar os depoimentos de testemunhas da tragédia da Boate Kiss nesta quinta-feira, iniciando mais uma etapa do processo criminal contra quatro réus acusados de homicídios e tentativas de homicídios. Ao todo, serão ouvidas 74 pessoas. Depois das testemunhas será a vez dos réus. Ao final da instrução, o juiz Ulysses Fonseca Louzada emite a sentença de pronúncia e encaminha a decisão para o Tribunal do Júri. Não há prazo previsto para tal definição.

Entre os depoimentos do dia, o ex-segurança da boate negou que tenha havido show pirotécnico dentro da casa antes do dia da tragédia, mas admitiu que um extintor foi manuseado na quinta-feira anterior ao incêndio. Um pedreiro contou que diante da falta do material previsto para o revestimento, a administração da boate buscou outro fornecedor. Um gerente de uma loja confirmou que um integrante da banda comprou artefatos pirotécnicos na semana do incêndio.

Caso. A tragédia ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2013 e matou 242 pessoas. A fagulha de um artefato usado em show pirotécnico chegou ao revestimento acústico do teto da boate e provocou um incêndio. A maioria das vítimas morreu asfixiada pela fumaça enquanto tentava sair da casa lotada e sem portas suficientes para uma fuga rápida. Os réus do processo são dois proprietários da boate, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, que respondem por homicídio doloso.