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Exército deve entrar na Maré no 'curtíssimo prazo', diz Beltrame

Marcelo Gomes e Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo

30 Março 2014 | 11h 30

Mais de cem pessoas foram presas desde o início da operação, em 21 de março; garis impedidos de trabalhar na região agora fazem faxina e retiram montanhas de lixo

RIO - O secretário de segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou nesta manhã que a tranquilidade com que ocorreu a ocupação do conjunto de favelas do Complexo da Maré, na zona Norte do Rio, não surpreendeu. A operação durou 15 minutos e nenhum tiro foi disparado.

A incursão deve continuar nos próximos dias e, na sequência, virá a fase chamada de "estabilização". Uma reunião entre Ministério da Defesa, Polícia Civil e Polícia Militar deve estabelecer, nesta semana, quando a área será repassada às Forças Armadas.

A ideia, segundo Beltrame, é que o Exército entre na Maré no "curtíssimo prazo". "A partir da assinatura da GLO, a área fica sob total responsabilidade do exército. Alguns policiais permanecem, e o nosso trabalho de inteligência continua", afirmou Beltrame, referindo-se ao decreto presidencial de Garantia da Lei e da Ordem, que confere poder de polícia ao Exército.  

Detenções. O último balanço divulgado pelas autoridades mostra que 118 pessoas foram presas desde 21 de março, quando teve o início a Operação Cerco, que preparou a ocupação. Treze delas foram detidas durante a ocupação - entre elas, Daiane Rodrigues, apontada como namorada do traficante Marcelo Santos das Dores, o Menor P. Ele foi detido em apartamento em Jacarepaguá, na zona oeste, na quarta-feira, 26, pela Polícia Federal.

Nesta manhã, a Polícia Militar apreendeu 452 quilos de maconha, submetralhadora, além de carregadores. A Polícia Rodoviária Federal recuperou duas motos e um Eco Sport roubados. Três pessoas foram presas. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Estado de Segurança.

Entre 21 e 29 de março, foram apreendidos sete fuzis, duas metralhadoras, 18 granadas, 33 pistolas e10 revólveres, além de 15,4 quilos de cocaína, 37,7 quilos de maconha e 5 quilos de crack, entre outras drogas.

Além da entrada do Exército, os planos de curtíssimo prazo preveem identificação dos pontos de maior necessidade dos moradores do complexo. O secretário de Estado de Assistência Social, Pedro Fernandes, disse que as primeiras ações envolverão a confecção de identidade, carteira de trabalho e outros documentos, incentivo às crianças para irem à escola e melhorias na iluminação pública e na rede de água e esgoto. "Criamos um comitê específico para isso, e a meta é de no máximo em 15 dias dar uma resposta a essas questões básicas", afirmou Fernandes.

Faxina. Equipes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) realizam uma faxina na praça em que foram hasteadas a bandeira do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro e também nas principais vias da Vila do Pinheiro, no Complexo da Maré.

Montanhas de lixo estão sendo retiradas com auxílio de caminhões caçamba e tratores. Garis também realizam a limpeza de um valão que passa ao lado da praça. Mas o trabalho será árduo. Dentro do valão há sofás, colchões e grande quantidade de lixo e lama.

Alguns garis dizem que eram impedidos por traficantes de trabalhar em determinados pontos da favela. E que, por isso, a limpeza levará semanas. Além da Comlurb, outras empresas de serviços públicos também já estão na Maré, como a Light (concessionária de energia).

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