Exército envia 600 homens para TO

Justiça Eleitoral pediu tropas para garantir segurança após escândalos e clima acirrado entre o governador Gaguim e Siqueira Campos

João Domingos, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Seiscentos militares do Exército foram deslocados para dez cidades do Tocantins, para garantir a votação e apuração das eleições de amanhã. A requisição das tropas foi feita pela Justiça Eleitoral, tendo em vista o clima de beligerância entre os partidários dos dois únicos candidatos ao governo, Carlos Gaguim (PMDB), que busca a reeleição, e Siqueira Campos (PSDB).

Nas cidades que ficam mais próximas de Palmas as tropas chegaram ontem mesmo. Nas mais distantes, e nas aldeias indígenas, a previsão é de que elas se instalem ali até o início da tarde de hoje. Dos 600 homens, 200 são da Polícia do Exército, de Brasília, com treinamento para dissolver distúrbios, além de equipamentos especiais, como capacetes, coletes, imobilizadores e armamento não letal.

As tropas do Exército farão ainda a segurança da sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Palmas, e do Centro de Convenções, durante a apuração. A convocação das forças federais ocorreu porque a Justiça Eleitoral não se sentiu segura com as forças normais - Polícia Militar e Polícia Civil -, que tenderiam a apoiar o governador.

No domingo de madrugada, tropas da PM receberam ordens de apreender toda a edição da revista Veja, que tinha uma reportagem relatando a ligação de Gaguim com um grupo de empresários envolvidos em suposta operação de desvio de dinheiro de contratos de prefeituras de São Paulo e Tocantins. A Justiça Federal teve de acionar a Polícia Federal para impedir a apreensão da revista.

O grande Rio. Se a maioria das estradas que cortam o Estado presenciou ontem a passagem de veículos especiais de transporte de tropas e de uma frota de ônibus com os militares, as pequenas rodovias vicinais que levam às aldeias indígenas foram testemunhas de um clima de tranquilidade que nada lembra a agitação da véspera da eleição.

Na Aldeia do Salto, na Reserva Indígena do Funil, em Tocantínia (cerca de 70 quilômetros ao norte de Palmas), onde em 56 aldeias vivem quase 3,5 mil índios xerentes, o cacique Valdir Xerente, por exemplo, ignorou a eleição e foi pescar no fim da tarde de ontem. Na placidez do Rio Tocantins, e com a água até a cintura, ele dedicou o final do dia para fisgar alguns pacus e piaus.

"Na minha aldeia tem 270 eleitores (são 342 pessoas, no total). No domingo eles vão votar. Mas nesse período de campanha eu não deixei que nenhum candidato pregasse cartazes na aldeia", disse. "Agora, eu noto que há uma preferência pelo Siqueira Campos, que já veio aqui e se pintou e dançou com a gente." Valdir Xerente disse que Gaguim nunca os visitou.

Na Aldeia Nova, o cacique João Xerente não se importou com os políticos. Alguns pregaram material de campanhas nas ocas. Nessa aldeia moram 46 indivíduos, boa parte crianças. Como a chuva voltou, elas ficam riscando o chão molhado. Os índios dizem que a chuva vai continuar caindo, porque os trovões chegam da parte de trás da Serra do Carmo, um imponente paredão que se estende ao longo da margem direita do Rio Tocantins.

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