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Falha de segurança permite entrada de 40 jornalistas em Pedrinhas

Artur Rodrigues - O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2014 | 13h 38

Uma porta foi deixada aberta no presídio em São Luís e os repórteres tiveram acesso aos presos, que fizeram queixas à imprensa

ENVIADO ESPECIAL A SÃO LUÍS - O esquema de segurança da casa de detenção do complexo de Pedrinhas, em São Luís (MA), foi furado por mais de 40 jornalistas que entraram na unidade sem autorização. Apesar de a assessoria de imprensa do governo do Estado ter armado um esquema para impedir a entrada da imprensa, a segurança do complexo se mostrou falha mais uma vez. Uma porta foi deixada aberta e a multidão de repórteres teve acesso aos presos, no começo da tarde desta segunda-feira, 13.

Dentro da unidade, onde 62 presos foram mortes desde o ano passado, detentos reclamaram que a Secretaria de Administração Penitenciária maquiou a situação dentro do local, encaminhando presos para outras prisões. Mesmo assim, a situação observada era de precariedade nas celas, e havia superlotação. Os presos afirmaram que são vítimas de tiros de armas de bala de borracha e que não têm assistência médica dentro do complexo.

Enquanto os jornalistas estavam no local, os presos ficaram indignados e começaram a protestar contra as tentativas dos agentes de retirar a imprensa de dentro. Um dos detentos jogou uma quentinha contra um dos funcionários.

De acordo com o presidente da comissão de direitos humanos da OAB, Luiz Antonio Pedrosa, é para evitar que o Estado tente maquiar a situação das unidades que são necessárias as visitas surpresas.

Na última sexta-feira, 10, o governo do Maranhão impediu a entrada da comissão de direitos humanos da OAB e da Assembleia Legislativa.

Maquiagem

Deputados maranhenses acusam o governo do Estado de maquiar as unidades visitadas pela Comissão de Direitos Humanos de Senado. "Visitei muitos presídios no Brasil e vi muito isso: maquiagem", disse o deputado federal Domingos Dutra (Solidariedade). "Nós demos sugestões de visita ao Centro de Detenção e ao Presídio São Luís 2, que estão em situações graves, mas a direção do presídio fez outra programação e diz que, se os vereadores forem a esses locais, podem incentivar uma rebelião".

Presos ouvidos pela imprensa afirmaram que vários detentos de celas superlotadas foram transferidos antes da visita dos parlamentares. O deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade) afirma que os presos das alas mais problemáticas estão fazendo greve de fome. "A intervenção é o melhor caminho para que a gente possa voltar ao normal aqui dentro", afirmou. A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa afirma ter sido barrada novamente.

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