Falta de poupança pública aumenta vulnerabilidade externa

No cerne da questão da vulnerabilidade externa está a falta de poupança no Brasil. Conservadores e heterodoxos concordam que, para reduzir o déficit em conta-corrente, será necessário aumentar a poupança pública . O Brasil poupa pouco, cerca de 18% do PIB, e o ideal seria 25% para sustentar um crescimento acima de 5% ao ano, sem pressões inflacionárias. A poupança doméstica é insuficiente para financiar o crescimento, por isso o País é obrigado a recorrer à poupança externa. Hoje, o setor público contribui com cerca de zero para a poupança doméstica. Com ajuste fiscal, o governo diminuiria gasto de custeio e pessoal e conseguiria aumentar a poupança pública, reduzindo a necessidade de poupança externa. Com isso, será possível reduzir os juros, que são altos para financiar a dívida pública. E daria para reduzir a tributação sobre o setor privado. Com menos tributos e juro menor, o investimento tende a crescer. Alguns argumentam que países emergentes precisam de poupança externa para crescer. Mas em tempos de crise, a situação pode virar, como 1999. Inseguros, o investidores externos se retraem e o real se desvaloriza. Se o déficit em conta-corrente é alto, o País fica mais vulnerável. A estimativa é de que, em 2011, o câmbio fique em R$ 1,79 e, em 2014, R$ 2,06. O real deve se depreciar porque o déficit em conta-corrente vai sugar mais dólares...

, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

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