Família de motorista morto na Praia Grande pede justiça

A reação a um roubo acabou em tragédia na Praia Grande, no litoral sul de São Paulo. O motorista Adriano Carvalho Avelino, de 33 anos, foi baleado e morto por um adolescente de 17 anos no domingo, 8, quando foi assaltado e correu atrás do adolescente, que roubou uma máquina fotográfica. Adriano, de 33 anos, foi velado na madrugada desta terça-feira, 10, e a família dele pede justiça. "Menores podem votar, mas não podem pagar pelo que fazem? Eles não medem conseqüência e não dão valor nenhum à vida", disse uma tia da vítima, a vendedora Neli Aparecida de Lima Ramos, de 42 anos. O filho de Adriano, de 11 anos, teria gritado para o pai não ir atrás do menor que havia roubado a câmera. Ele ficou sabendo da morte do pai, com quem era muito apegado, mas não quis ir ao velório, que começou às 18 horas de segunda-feira. O pai do motorista, o aposentado Daniel Caetano Avelino, de 56 anos, está inconsolável. "Foi um choque para mim; achei que fosse acidente de carro. O policiamento na praia precisa ser reforçado, porque senão outras pessoas vão sair para se divertir e voltar desse jeito." Assalto O assalto ocorreu às 19 horas, enquanto o grupo de Campinas passeava pela orla de bicicleta. A irmã de Alessandra, Michele de Souza, de 25 anos, e o namorado pedalavam na frente. Ela vinha atrás, sozinha. Adriano e o filho passeavam atrás. O motorista viu quando um adolescente, também de bicicleta, se aproximou da namorada. O jovem anunciou o roubo e levou a máquina. Quando soube do roubo, Adriano procurou o ladrão, mas não o achou. Meia hora depois, enquanto lanchavam num bar perto da feira de artesanato da Praça Roberto Andraus, Adriano reconheceu o jovem. Saiu da lanchonete, perseguiu e o agarrou. Os dois começaram a brigar. Quando Adriano se desequilibrou, o rapaz sacou uma arma calibre 38 e disparou. A bala atravessou o tórax da vítima e atingiu a janela de uma garagem. Na lanchonete, Alessandra, a irmã dela e o filho de Adriano ouviram um tiro e, em seguida, o barulho de um vidro quebrando. "Sabíamos que estava acontecendo algo, mas não imaginamos que o tiro tivesse acertado o Adriano", contou a irmã de Alessandra. Oito viaturas da PM chegaram e pegaram o jovem. Para quem viu o crime, a impressão foi de que a polícia agiu rápido. Mas moradores da região disseram que a morte poderia ter sido evitada se a PM tivesse atendido aos chamados feitos mais cedo. Às 18h20 de domingo, pouco mais de uma hora antes do crime, um morador do bairro Cidade Ocian, onde Adriano foi morto, ligou para a PM e denunciou a presença de cinco jovens armados perto da Praça Roberto Andraus. "Ligaram de volta para dizer que não havia viatura para o serviço", disse o morador que, com medo, não quis ser identificado. (Colaborou Naiana Oscar, do Jornal da Tarde.)

Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde

10 Julho 2007 | 10h55

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