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Favela do Metrô, no Rio, pode dar lugar a Polo Automotivo da Mangueira

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2014 | 16h 52

Desde a terça-feira, 7, moradores reclamam contra a demolição de casas pela prefeitura

RIO - No lugar onde hoje está a Favela do Metrô, a prefeitura do Rio pretende construir o Polo Automotivo da Mangueira e áreas de lazer para os moradores da região. Em nota, a prefeitura informou que "o comércio da região só será retirado quando o Polo for inaugurado". A retirada dos escombros das casas demolidas na Favela do Metrô, na Mangueira, zona norte do Rio, deve durar cerca de um mês após a conclusão das demolições.

Nesta quinta-feira, 9, os moradores permanecem na entrada da comunidade na tentativa de deter a entrada de agentes da prefeitura para demolir as casas que ficam à margem da estação de trem da Mangueira. Agentes do 4º Batalhão de Polícia Militar (São Cristóvão) e do Batalhão de Choque também estão no local para evitar novos conflitos.

 

Pela manhã, a Linha 2 do metrô fechou duas vezes porque objetos foram jogados na via das estações Triagem e São Cristóvão. A energia precisou ser cortada para retirada de paus, pedras, entulhos, cadeiras e outros objetos da via. A concessionária MetrôRio afirma que os objetos foram jogados pelos moradores da Favela do Metrô em protesto contra a demolição das casas. Os moradores, no entanto, disseram que não houve protesto essa manhã. A PM não se manifestou sobre o caso. A Supervia, concessionária de trens, não registrou queda de nenhum objeto em seus trilhos.

Representantes de organizações ligadas aos direitos humanos conversavam com os moradores. Nenhum funcionário da prefeitura foi visto no local. Uma reunião entre a Comissão de Direitos Humanos da prefeitura, ligada à Secretaria de Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS); a Comissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil do Rio (OAB/RJ); o Núcleo de Terras da Defensoria Pública e o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (Iddeha) que seria realizada no início da manhã desta quinta foi cancelada.

A SMDS não divulgou nova data para a reunião e nem o motivo do cancelamento. O objetivo do encontro era tentar encontrar um ponto comum entre as reivindicações dos moradores e os planos da prefeitura para o local.

Na noite de quarta-feira, 8, aproximadamente 50 pessoas tentaram fechar a Avenida Radial Oeste, sentido Méier, com barricadas de fogo, mas foram impedidas por policiais do Batalhão de Choque. Os PMs usaram bombas de efeito moral e deram tiros de borracha.

Os protestos na Favela do Metrô começaram na terça-feira, 7, contra a demolição de casas pela prefeitura. As moradias ficaram vazias depois que 662 famílias foram levadas para unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, em 2011. Mas, como não foram logo demolidas, acabaram ocupadas por outras famílias, que vivem às margens da linha do trem. Moradores reclamam que não foram avisados sobre a ação e que não conseguiram tirar os pertences das residências.