Fiéis enfrentam frio, chuva e revistas para chegar perto do papa em Aparecida

Sensação térmica de 2ºC não intimidou grupo que dormiu na fila

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

24 Julho 2013 | 21h54

Com sensação térmica de 2ºC e chuva fina, mas persistente, foi difícil a vida de quem varou a madrugada ao relento em Aparecida para garantir um bom lugar dentro da basílica na busca pela chance de ver o papa Francisco mais de perto. Ainda mais porque, além do mau tempo, os fiéis ainda tiveram de superar as revistas dos policiais e todo o aparato de segurança, que incluia detectores de metal e aparelhos de raio-X. A demora levou padres e reclamar no microfone pelo menos por duas vezes, pedindo mais agilidade dos policiais. Mas, a julgar pela emoção e pelo ânimo das pessoas, tudo valeu a pena.

"É a primeira vez que verei um papa. Estou muito realizada", comentou, instantes antes do início da missa, a auxiliar administrativo Greice Marcia dos Santos, de 36 anos. Ela saiu de Piracicaba, no interior paulista, na tarde de anteontem, em um ônibus fretado, e chegou a Aparecida no início da madrugada. Desde então, era só alegria em frente ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. "É tanta felicidade que nem frio a gente sente", afirmou.

As pulseirinhas que deram acesso ao interior da igreja começaram a ser distribuídas por volta das 2h de ontem às pessoas que rezavam, conversavam ou simplesmente dormiam na fila formada no entorno do santuário. Segundo o Exército, 12 mil fiéis puderam participar da celebração dentro da basílica. Mas mesmo quem não conseguiu acesso não arredou o pé do estacionamento. "Foi muita emoção ver o papa passar. É muita fé que a gente tem. Desisti até de tirar foto só para ficar olhando para ele. É inexplicável, vale qualquer sacríficio", disse Elza de Fátima, de 55 anos, moradora de Maringá, no Paraná.

Para as irmãs Roseli Teixeira, de 53 anos, e Rosangela Teixeira Coelho, de 55, ambas comerciantes, ver a passagem de um papa não foi uma novidade. Roseli recorda-se do carismático João Paulo II, em sua visita a São Paulo, em 1980. "Eu fui vê-lo no Campo de Marte (aeroporto na zona norte da capital). Que homem maravilhoso", disse.

Já Rosangela viu João Paulo, viu Bento XVI e, ontem, viu Francisco. "João Paulo II foi muito especial. Mas, para mim, todos são enviados por Deus, então o respeito é o mesmo", comentou. "Este é mais simples e fala forte à população carente. Já dá para perceber isso", analisou. "Até os jovens que não curtem Igreja estão sendo conquistados pelo jeito dele."

Romeiro. As milhares de pessoas que acompanhavam a missa do lado de fora do santuário carregavam uma bandeirinha distribuída pela Arquidiocese de Aparecida com a imagem de Francisco com a basílica ao fundo. Nela, estava estampada a frase: "Papa Francisco, Romeiro de Nossa Senhora", que se tornou praticamente um slogan de sua visita à cidade. Para os fiéis, a devoção do santo padre à Virgem Maria fazia dele uma pessoa mais próxima. "Ele é como a gente, mostrou isso hoje. É romeiro, é amigo", afirmou João Bosco, ministro da Eucaristia do santuário.

As palavras do papa durante o sermão alegraram o coração de quem enfrentava o frio do lado de fora. Francisco disse ter vindo "bater à porta de Maria", como fazem cerca de 11 milhões de romeiros todos os anos em Aparecida. "Como ele, não trazemos ouro nem prata, só Jesus no coração. Esse é o papa do povo", concluiu a professora Minervina Prado da Cruz, de 62 anos.

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