Filiação ao PR foi puro pragmatismo

PERFIL

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

Paulo Sérgio Passos, ministro dos Transportes

Servidor de carreira de Planejamento e Orçamento da União desde 1973, o novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos - que comandará um orçamento de R$ 16 bilhões anuais -, é um técnico reconhecido na sua área, mas um quase desconhecido da população.

Não se trata, no entanto, de um neófito na política. Aliado do governador baiano Jaques Wagner e simpatizante do PT de longa data, Passos aderiu ao PR em 2006 movido por puro oportunismo. Na ocasião, como secretário executivo do ministério no governo Luiz Inácio Lula da Silva, ele foi indicado para assumir o mandato tampão no lugar do ministro Alfredo Nascimento, que havia deixado o cargo para disputar o Senado pelo Amazonas. O PR se dispôs a adotá-lo, desde que ele se filiasse. Pragmático, ele topou na hora. Dizem que foi estimulado pelos amigos petistas e até pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, de quem já tinha ganho plena confiança.

Tipo mignon - tem 1m58 de altura e menos de 60 quilos -, Passos é um homem de gestos gentis e físico frágil, mas as aparências enganam. Um olhar mais de perto, à luz dos depoimentos de amigos, revela que, por trás do técnico empedernido, preso a ritos burocráticos, esconde-se um político de muito jogo de cintura, com trânsito em partidos dos mais variados matizes, até mesmo da oposição. Seu elo com o tucanato é Martus Tavares, ex-ministro do Planejamento no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Nos últimos 35 anos, Passos esteve vinculado à pasta dos Transportes e serviu em cargos importantes a todos os titulares que por lá passaram, desde o regime militar. Feudo de empreiteiras e foco contumaz de denúncias de corrupção, o ministério sempre foi comandado por partidos vistos como fisiológicos, passando por PFL, DEM, PL, PMDB e agora PR.

Nesses anos todos, foi testemunha e partícipe de tudo o que de bom e ruim aconteceu na área. Articulado, reconhece a existência de problemas mas garante que a gestão do setor evoluiu nesses anos. Avisou que não medirá esforços para atingir alto padrão de ética e eficiência. "Não tenho compromisso com o erro", afirmou.

Baiano de Muritiba, cidade de 30 mil habitantes, Passos, de 61 anos, é filho de pai político e mãe professora. Economista formado pela Universidade Federal da Bahia, fez mestrado na Fundação Getúlio Vargas.

A baixa estatura lhe valeu o apelido de Paulinho, pelo qual o chamam amigos e servidores, dos mais simples à presidente Dilma Rousseff, de quem se tornou fiel escudeiro nos assuntos relacionados aos transportes - sobretudo na montagem do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Casado há 35 anos com a cantora e compositora Rosa Passos, Paulinho cultiva hábitos refinados. Gosta de boa música, cinema, artes e aprecia bom vinho. "Depois do batidão aqui no ministério, em casa a conversa é outra", diz ele. "Lá eu tenho a suavidade e a amenidade de lidar com o campo das artes", explicou, num elogio à mulher - à qual, segundo se comenta, ele devota uma obediência um tanto exagerada.

Mas o ministro raramente aparece nas festas dos empresários e políticos do PR. O partido, por sinal, teve de engolir o pequeno Passos atravessado, mesmo sabendo que, numa conversa particular com a presidente, ele abriu a caixa preta do ministério. Apesar disso, ele acha que não há rusgas. "Mas não haverá privilégios ao partido nas ações do ministério", avisou.

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