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Fora dos padrões, Unidos da Tijuca faz tributo a Ayrton Senna

Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo

04 Março 2014 | 06h 37

Avesso a enredos cronológicos, o carnavalesco Paulo Barros promoveu uma corrida no sambódromo

Vinte anos após a morte de Ayrton Senna, o piloto brasileiro tricampeão mundial de Fórmula 1 foi enredo da Unidos da Tijuca, 12ª e última escola a desfilar na Sapucaí neste carnaval. Desta vez, o gênio inventivo do carnavalesco Paulo Barros não causou nenhuma grande surpresa. A comissão de frente, por exemplo, embora tenha levado até uma réplica de um carro de Fórmula 1, não chegou a empolgar o público. Embora sem brilho, o desfile correto credencia a escola à disputa do título.

A irmã do piloto, Viviane Senna, não se exibiu em nenhum carro alegórico - desfilou no chão, acompanhada por diretores da escola. Ao contrário do empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que foi enredo da Beija-Flor e participou ativamente da elaboração do desfile, Viviane não interferiu. "Ficou tudo nas mãos do Paulo. Ele criou o desfile e nos contou como seria", disse Viviane.

Avesso a enredos cronológicos, o carnavalesco não retratou episódios da vida de Senna. Ao contrário, promoveu uma corrida que reuniu no sambódromo 19 personagens, como Dick Vigarista, Penélope Charmosa, Speed Racer, The Flash, Sargento Bombarda, um velejador, um remador e até um antigomobilista, nome atribuído a quem disputa corridas com carros antigos. O corredor de Fórmula 1 era Senna, claro.

Ao longo do desfile a corrida se desenvolvia em vários cenários, como uma floresta, referência a uma pista de F-1 existente na Bélgica. O último carro alegórico dava o veredito: Senna venceu a disputa e ganhou um fictício quarto título mundial. A alegoria representava um pódio e lançava jatos de água em direção ao público, como os vencedores de corridas costumam fazer com champanhe.

As famosas alegorias humanas de Paulo Barros (ideia que causou surpresa em 2004, quando a Tijuca apresentou o carro do DNA) se repetiram em três carros. Num deles, os foliões empurravam desenhos de carros de corrida ao longo de uma pista fictícia.

Com apenas seis carros alegóricos (a Beija-Flor levou oito à avenida, no domingo), a Tijuca não teve nenhum problema de tempo nem de evolução e harmonia. A correção foi comemorada por Paulo Barros, que acompanhou o desfile após a última ala e, feliz da vida, chegou a sambar junto com a bateria.

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