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Forças Armadas avançam pelo Complexo da Maré, no Rio

Fábio Grellet, Luciana Nunes Leal e Ronald Lincoln Jr. - O Estado de S.Paulo

05 Abril 2014 | 05h 23

Veículos militares transportam os 2.500 agentes das Forças Armadas

Atualizado às 08h48

RIO - Apesar do avanço dos blindados do Exército e da Marinha pelas favelas do complexo da Maré, na zona norte do Rio, a rotina nas comunidades praticamente não mudou. Por enquanto não ocorreram confrontos nem há registro de presos, e a única novidade é que moradores se aglomeram perto dos tanques militares para fotografá-los. "Arma a gente já viu muitas, é comum, mas tanque de guerra eu não conhecia", afirmou uma moradora que se identificou apenas como Maria do Carmo, de 47 anos.

 

Os primeiros tanques e outros veículos militares que transportam os 2.500 agentes das Forças Armadas que vão ocupar o conjunto de favelas da Maré, na zona norte do Rio, começam a avançar para dentro das comunidades, onde moram 130 mil pessoas.

 

Na véspera da ocupação do Complexo da Maré, na zona norte, pelas Forças Armadas, a Polícia Federal apreendeu na sexta-feira, 4, armas, munição e drogas transportadas em um caminhão frigorífico, na Rodovia Presidente Dutra, altura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Investigação da PF indica que o carregamento, que saiu do Paraná, seria distribuído em favelas que já têm Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como Jacarezinho, Manguinhos e Rocinha.

 

A intenção era reforçar o poderio dos grupos responsáveis por ataques recentes a UPPs e que resistem à pacificação da Maré. Na operação, foi preso o traficante Illan Nogueira de Sales, o Capoeira. Foram apreendidos seis fuzis, 38 pistolas, munições, carregadores e sete kits de rajada de pistola Glock, que aumentam o poder de fogo da arma. O motorista do caminhão frigorífico teria recebido R$ 10 mil para fazer o transporte.

 

As ações policiais no Complexo da Maré, na zona norte, que antecederam a ocupação pelas Forças Armadas, na manhã deste sábado, 5, resultaram na morte de 16 criminosos, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Segurança. Outros oito, sendo dois menores, foram feridos. Houve 36 confrontos entre policiais militares e bandidos, diz a nota. A operação preliminar durou duas semanas, entre os dias 21 de março e 4 de abril e envolveu as Polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal. As mortes ocorreram durante ações da PM. O balanço aponta ainda 162 prisões e 51 menores apreendidos. Foram apreendidas armas, munições e drogas como maconha, cocaína, crack e heróina

 

Desde as primeiras horas deste sábado, os militares se deslocaram de seus grupamentos para as imediações do complexo, que tem 10 km2 de área e 130 mil habitantes e está ocupado pela Polícia Militar desde o último domingo. Hoje a área será tomada por 2.500 homens das Forças Armadas - 2.050 membros da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército e 450 fuzileiros navais da Marinha. Eles serão auxiliados por 200 policiais militares. A movimentação começou às 5 horas.