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Mais procurado do Rio, Rogério 157 é preso; polícia teme guerra pela Rocinha

Atual líder do CV, o traficante protagonizava, desde setembro, disputa pelo comando da favela na zona sul do Rio com a facção ADA

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 06h49
Atualizado 06 Dezembro 2017 | 23h18

RIO - Um trabalho conjunto de forças federais e estaduais resultou quarta-feira, 6, na prisão do traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, na Favela do Arará, zona norte do Rio. E expôs a comunidade da Rocinha, na avaliação da polícia, a uma nova guerra do crime.

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Bandido mais procurado do Rio, Rogério 157 disputava o comando do tráfico na favela da zona sul com Antônio Bonfim Lopes, o Nem. O risco, acredita a corporação, é de novos conflitos entre as facções Amigo dos Amigos (ADA), de Nem, e Comando Vermelho (CV), onde estava Rogério. Segundo o delegado Antônio Ricardo, da 11.ª Delegacia de Polícia (Rocinha), o grupo de Rogério se enfraqueceu. A guerra entre as duas quadrilhas pela venda de entorpecentes começou em 17 de setembro e, até agora, 20 pessoas já foram mortas na favela.

 

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A operação mobilizou 2,9 mil homens de Forças Armadas, Polícias Civil, Militar e Federal e aconteceu nas comunidades da Mangueira, Tuiuti e Arará-Mandela. Rogério foi surpreendido por policiais civis em uma casa, não resistiu à prisão, mas teria tentado subornar os agentes, sem sucesso. À tarde, o secretário de Segurança, Roberto Sá, informou que vai pedir a transferência do traficante para um presídio federal, com cárcere mais rígido.

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“Não gosto de enaltecer criminosos, mas este é um bandido que vem causando problemas há mais de dez anos no Rio de Janeiro, que fez dezenas de pessoas prisioneiras em um hotel, em 2010, que disparava tiro de fuzil na Avenida Niemeyer”, enumerou Sá. A ação, porém, teve mais repercussão por causa das fotos dos captores ao lado de Rogério. 

Disfarce

Segundo o delegado Gabriel Ferrando, Rogério vinha tentando mudar a aparência para não ser preso. Ele se submeteu a procedimentos para apagar as tatuagens e tinha camuflado cicatrizes - sinais que poderiam identificá-lo. Ferrando contou que, ao ser abordado, Rogério não tinha identidade e disse aos policiais ser outra pessoa. Quando foi identificado, tentou evitar a prisão, dizendo que os agentes poderiam “fazer suas vidas” - em um indicativo de oferta de suborno. 

“Nós conseguimos prendê-lo porque conhecíamos muito bem sua fisionomia, já estávamos investigando ele há um tempo”, declarou Ferrando. “Foi uma ação precisa, sem nenhum disparo de arma de fogo. Ele também não ofereceu resistência, não estava armado.” 

Nesta quarta, após a prisão de Rogério, moradores da Rocinha ouviram tiros. Sá especulou que pode ter sido uma comemoração de criminosos do bando de Nem pela captura do rival. Moradores levantaram a possibilidade de os disparos terem sido feitos em represália à ação.

Rogério 157 era chefe de segurança de Nem na ADA e assumiu o controle do tráfico no morro depois que o ex-comandante do tráfico local foi preso. No racha, Rogério migrou para o CV. Para policiais, o grupo de Nem tem mais simpatia da comunidade porque Rogério, quando assumiu, aumentou as taxas cobradas de moradores.

 

 

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