Kleber A. Gonçalves/Diario do Nordeste
Kleber A. Gonçalves/Diario do Nordeste

Fortaleza tem sete mortos em três ataques

Matança aconteceu em três pontos do bairro Benfica, corredor cultural da cidade, onde ficam a reitoria da Universidade Federal do Ceará e uma das sedes da Torcida Uniformizada do Fortaleza

Carmen Pompeu e Tulio Kruse, ESPECIAL PARA O ESTADO

10 Março 2018 | 04h13
Atualizado 10 Março 2018 | 16h26

FORTALEZA - Uma série de ataques terminou com sete mortos e outros quatro feridos na noite de anteontem, na região central de Fortaleza. A matança aconteceu em três pontos do bairro Benfica, corredor cultural da cidade, onde ficam a reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) e uma das sedes da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF). Investigações iniciais indicam que haveria motivações diferentes para a sequência de crimes - disputa pelo tráfico de drogas e briga de torcidas organizadas. 

Por volta das 23h30, homens que estavam em um veículo Honda Civic atiraram a esmo, contra pessoas que estavam na Praça Gentilândia. Três homens morreram no local: o cabeleireiro José Gilmar Furtado de Oliveira Júnior, de 33 anos, o vendedor ambulante Antônio Igor Moreira e Silva, de 26, e Joaquim Vieira de Lucena Neto, de 21.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram que, após o crime, a praça virou um cenário de guerra, com pessoas ensanguentadas e garrafas e copos quebrados no chão. No entorno há muitos bares e restaurantes que costumam ser frequentados por estudantes universitários. Uma garçonete foi atingida e levada para o hospital pelo Samu.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Ceará, Oliveira Júnior tinha passagem por roubo e posse de droga e Silva, por posse de droga. Lucena Neto não tinha histórico. Para a polícia, as mortes teriam ligação com a disputa pelo tráfico de drogas.

Minutos depois, na Vila Demétrio, próximo à sede da TUF, o grupo usou outro veículo para atirar em um grupo de jovens de que bebia no local. Carlos Victor Meneses Barros, de 23 anos, que vestia uma camisa do clube, morreu na hora. Emilson Bandeira de Melo Júnior, de 27 anos, e Adenilton da Silva Ferreira, de 24, chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos. Nenhum deles tinha antecedentes, segundo a Polícia Civil.

Durante a fuga, os criminosos passaram pela a Rua Joaquim Magalhães e voltaram a atirar contra duas pessoas que usavam uniforme da torcida organizada. Pedro Braga Barroso Neto, de 22 anos, foi atingido quando ia a uma loja com outro rapaz comprar vinho. Ele tinha duas passagens por roubo e uma por associação criminosa, de acordo com a secretaria. Outras duas vítimas seguem internadas. 

O segundo e o terceiro ataque estariam ligados a briga entre torcidas.

Histórico. O caso é investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota, a secretaria afirmou que a polícia apura as circunstâncias de cada caso para descobrir se há ligação entre eles e também prender os autores. Segundo o secretário de Segurança do Ceará, André Costa, ainda não é possível afirmar se há relação dos crimes com as facções criminosas que atuam nos presídios.

Os ataques aconteceram um dia após oficiais terem encontrado os corpos de três mulheres decapitadas na capital e prendido três homens e um adolescente suspeitos do crime. Em janeiro, o Ceará registrou a maior chacina do Estado, com 14 mortos, em um bar na periferia de Fortaleza.

Esta foi a quarta chacina registrada neste ano no Ceará. A primeira, em 7 de janeiro, aconteceu em Maranguape e deixou quatro mortos. A segunda, com o maior número de vítimas, foi registrada no bairro Cajazeiras, com 14 mortos, na madrugada de 27 de janeiro. Dois dias depois, no dia 29, dez detentos foram assassinados por outros internos da Cadeia Pública de Itapajé. // COLABOROU SARA ABDO

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