Futuro da greve preocupa e divide sindicatos e associações

Há quem sugira trégua e quem prefira ampliar paralisação; reajuste custaria R$ 200 mi

O Estadao de S.Paulo

17 Outubro 2008 | 00h00

Na noite de ontem, os líderes das associações e sindicatos de policiais de São Paulo não sabiam de que forma retomar a negociação com o Estado, após um mês de greve. Na semana passada, a categoria suspendeu a paralisação por 48 horas, na tentativa de dialogar com o governo. A expectativa era de que fosse feita uma nova proposta. O que não ocorreu. Galeria de fotos do confronto entre policiais civis e militares Próximos passos da negociação da greve Saiba como foi o confronto e a repercussão do conflito Cobertura completa da greve e como agir em caso de roubo Relato de Marcelo Godoy, que acompanhou o conflito "Aconteceu o que mais temíamos. Eu havia alertado o senadores Sérgio Guerra (PSDB), Aloízio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB), anteontem, de que era preciso negociar. Estamos em uma crise profunda. Não sabemos ainda as conseqüências que ela terá", afirmou o delegado Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, a maior e até então mais representativa entidade da Polícia Civil. Tido como um líder moderado, Roque se transformou em um dos últimos interlocutores que o governo tinha entre as entidades da Polícia Civil. Assim é que, no momento em que os integrantes dos sindicatos da polícia organizavam a marcha ao palácio, Roque se reunia com dois deputados estaduais do PSDB e um do PV, todos da base do governador José Serra. Entre eles estava Mauro Bragato. A idéia era buscar a mediação para resolver a crise. O problema era todo em torno do índice de reajuste dos salários. O governo alegou que uma nova proposta, com dois dígitos de reajuste neste ano, teria um valor proibitivo: R$ 200 milhões. Em outras palavras: isso é quanto custaria aumentar a proposta do Estado de reajuste de 6,2% para, no mínimo, 10%. Parece pouco para quem gasta R$ 7 bilhões com a folha de pagamentos da Segurança Pública, mas o secretário Sidney Beraldo (Gestão Pública) garantiu ao Estado que não. "Chegamos ao limite. Estamos diante de uma crise que poderá trazer conseqüências à arrecadação do Estado no próximo ano." Procurada, a Secretaria de Gestão Pública reafirmou, por meio de nota, as propostas que fez à categoria. O governo propõe aumento linear de 6,2% a policiais civis da ativa, aposentados e pensionistas; aposentadoria especial; reestruturação das carreiras com a eliminação da 5ª classe e a transformação da 4ª classe em estágio probatório; e a fixação de intervalos salariais de 10,5% entre as classes. O governo diz ainda que quer reajustar em 38% o salário base dos delegados. Os delegados consideram ridícula a proposta, pois o reajuste de 38% só seria dado a poucas dezenas de policiais que ganham o piso e estão em estágio probatório. O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado (Sindpesp), José Leal, em entrevista ao Estado, contestou. "O governo não procurou os policiais para discutir a questão da reestruturação", diz. Segundo ele, os profissionais perdem os adicionais quando se aposentam. Portanto, uma decisão que só favoreça quem está na ativa não agrada. Beraldo, por sua vez, tentava mostrar aos líderes moderados das associações da polícia que o governo não é intransigente. "Nossa proposta inicial significava um gasto de R$ 300 milhões. Fizemos um enorme esforço e, com a aposentadoria especial, as promoções e o aumento de 6,2%, chegamos a R$ 600 milhões." Agora, porém, não há consenso. Os líderes mais moderados, ligados às associações, ainda procuram o que fazer. Há sindicalistas que defendem que a greve seja retomada com mais força. Outros propõem uma "trégua". A maioria considera que um próximo passo, para encerrar o impasse, venha do governo. MARCELO GODOY, MÔNICA CARDOSO e PEDRO VENCESLAU CRONOLOGIA 20/7/2008: A decisão A categoria resolve, em assembléia, iniciar greve no dia 13 de agosto. Pede reestruturação total da carreira, reajuste salarial de 200%, aposentadoria especial e o direito de eleger diretamente o delegado-geral 13/8: Recuo Estratégico Com adesão de 40% da categoria, começa greve inédita na história da Polícia Civil paulista. A paralisação só dura uma manhã. Governo e sindicalistas aceitam proposta do TRT 21/8: Impasse Em audiência de reconciliação, policiais rejeitam a proposta do governo: extinção da 5.ª classe e elevação do piso salarial da categoria em 27% 5/9: Rejeição Governo e policiais civis rejeitam proposta do TRT, de 12% de aumento em 2009 e 10% em 2010 7/9: Vaias ao governador O governador José Serra é vaiado em desfile 9/9: Operação-padrão Polícia inicia operação-padrão 16/9: Segunda paralisação Polícia Civil pára pela segunda vez e agora pede aumento de 29% até 2010. Governo oferece 27,9% para o piso salarial dos delegados 17/9: Sob pressão Governo endurece e afirma que só negocia quando acabar a greve. Aumenta adesão ao movimento 6/10: Trégua Greve é suspensa, para ser retomada no dia 10, caso não avancem as negociações Ontem: Conflito Ato na frente do Palácio dos Bandeirantes acaba em pancadaria e deixa mais de 20 feridos

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