Gasto com viagens faz Alckmin dar ultimato

Secretários enviam ao governador justificativas sobre o aumento de 16,2% nas despesas com passagens e locomoção de seus funcionários

Roberto Almeida e Gustavo Uribe, O Estado de S.Paulo

10 Março 2011 | 00h00

As secretarias do governo paulista remeteram ontem ao Palácio dos Bandeirantes, após ultimato do governador Geraldo Alckmin (PSDB), suas justificativas sobre o aumento de 16,2% nas despesas com passagens e locomoção da máquina estadual no primeiro bimestre de 2011, ante o mesmo período do ano anterior.

De acordo com o governo paulista, os dados chegaram no final da tarde de ontem e ainda passarão por análise de assessores técnicos do Executivo estadual. O levantamento deve ser concluído hoje, segundo a assessoria do Palácio dos Bandeirantes.

O aumento nas despesas com passagens e locomoção foi revelado pelo Estado, em reportagem publicada na segunda-feira. De acordo com dados do Tesouro Estadual, o governo de São Paulo desembolsou neste ano R$ 26,7 milhões em valores liquidados com passagens e locomoção, um incremento de R$ 3,8 milhões em comparação com o primeiro bimestre do ano passado, que foi de R$ 22,9 milhões.

Em seu primeiro ato de governo, ainda em janeiro, Alckmin já havia ordenado pente-fino com gastos, especialmente com custeio da máquina. O governador, na ocasião, afirmou a secretários que os gastos com passagens eram alvo preferencial de cortes. A redução de custeio, acredita o governador, é essencial para justificar o aumento no limite de endividamento do Estado de São Paulo e, consequentemente, incrementar os investimentos (leia abaixo).

"Novo desenho". Houve, segundo o levantamento publicado, aumento nos gastos com passagens e locomoção em 15 secretarias, na relação entre o primeiro bimestre de 2010 e 2011.

A secretaria com maior variação foi a de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, que justificou o incremento nos gastos ao absorver a estrutura da extinta Secretaria de Ensino Superior e demais universidades a ela atreladas.

Em sua primeira avaliação sobre os dados, o governo paulista acreditava que o aumento nos gastos era resultado do "novo desenho" da gestão tucana. De acordo com o levantamento, somando-se os gastos com diárias e passagens em 2011, o governo paulista acumula alta de 11,6% em relação ao mesmo período de 2010. O aumento nominal foi de R$ 33,4 milhões no primeiro bimestre de 2010 para R$ 37,3 milhões nesse início de ano

"Gasto social". Ontem, o tucano afirmou que, em algumas pastas, como a de Educação, houve um acréscimo do gasto social, e não de transporte. Nesse caso, as despesas passaram de R$ 4,4 milhões nos dois primeiros meses de 2010 para R$ 6,1 milhões este ano. Um aumento nominal de R$ 1,7 milhão, ou 37,10%.

"Na Secretaria da Educação, o gasto que aumentou foi o de transporte de crianças com deficiência. Então, não tem como dizer que houve (elevação dos) gastos de transporte, mas houve aumento de gasto social", disse o governador paulista.

Em nota enviada ao Estado na sexta-feira passada, a Secretaria da Educação havia justificado o aumento de gastos com a prestação de um novo serviço, o Atendimento Educacional Especializado no Ensino Fundamental. Segundo a pasta, o programa "presta transporte de alunos que moram distantes de suas escolas".

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