Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Gírias do Brasil cativam público

Com mensagens claras, papa tenta atrair fiéis

O Estado de S. Paulo

25 Julho 2013 | 23h28

Quem acompanha o papa Francisco em quatro meses de pontificado já esperava demonstrações de humildade e proximidade com o povo, mas as gírias e a informalidade de alguns discursos surpreenderam peregrinos, religiosos e até o próprio Vaticano. Depois de dizer, logo no primeiro discurso, que "Cristo bota fé nos jovens", Francisco cativou os moradores da Favela da Varginha na quinta-feira, 25, com expressões brasileiríssimas.

"Queria bater em cada porta, dizer bom dia, pedir um copo de água fresca, beber um cafezinho", disse o papa em bom português logo no começo da saudação aos fiéis, que já começaram a aplaudir e gostaram mais ainda quando veio o improviso: "Não um copo de cachaça!"

Francisco usou uma expressão muito familiar. "Sei bem que, quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode botar água no feijão", discursou. Empolgado com a reação da plateia, emendou: "Se pode colocar água no feijão? Sempre!"

"O papa se sentiu em casa", disse padre Márcio Queiroz, diretor de Comunicação do comitê organizador da Jornada Mundial da Juventude e pároco da Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso e das capelas do Complexo de Manguinhos, onde fica a Favela da Varginha.

Mais improviso. No fim do dia, mais uma leva de frases de efeito, desta vez diante dos participantes da Jornada em Copacabana. "Sempre ouvi dizer que o carioca não gosta do frio", disse o pontífice diante de milhares de jovens que haviam enfrentado frio e chuva. "Mas vocês estão demonstrando que a fé é mais forte. Parabéns."

Momentos depois, fez um amplo elogio à "Cidade Maravilhosa", falou do mar, do Corcovado e declarou que "os cariocas sabem receber bem, sabem acolher bem".

As gírias e expressões brasileiras não foram bem improviso. O papa já dizia aos assessores que quer discursos que possam ser entendidos e palavras que criem um "sentimento de familiaridade" entre ele e os fiéis. A estratégia, segundo fontes do Vaticano, é tornar a mensagem mais clara e atrair seguidores.

Para isso, o Vaticano trabalhou em cada discurso por dias, com o papa revendo cada uma das versões escritas por seus auxiliares em quatro ou cinco ocasiões. "Os textos iam e vinham de sua mesa sem parar", confessou um funcionário da Santa Sé. Ele ainda tem um colaborador brasileiro, o religioso carioca Bruno Lins, que faz parte da comitiva e auxilia nos textos. / LUCIANA NUNES LEAL e JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL

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