Marcos de Paula/AE
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Governador do Rio recusa apoio federal e culpa grupos estrangeiros por atos

Dois dias após depredação em Leblon e Ipanema, Cabral aparece abatido, diz que falou com a presidente, mas garantiu que está tudo sob controle e vai receber o papa no Palácio Guanabara

Wilson Tosta / RIO,

19 Julho 2013 | 22h51

Dois dias após a depredação de Leblon e Ipanema por manifestantes que protestavam a poucos metros do prédio onde mora, o governador Sérgio Cabral (PMDB) rejeitou ontem oferta da presidente Dilma Rousseff de ajuda federal para enfrentar os protestos e culpou “grupos estrangeiros”. Aparentando abatimento, o governador disse que a recepção ao papa Francisco, marcada para as 17h de segunda-feira, está confirmada no Palácio Guanabara, que já foi alvo de manifestações. 

 

Segundo o governador, as forças de segurança locais são suficientes. “Ontem (anteontem), por volta das sete e meia da noite, (a presidente Dilma telefonou) manifestando a sua solidariedade, manifestando o seu apoio, o seu estarrecimento”, afirmou. “Ela passou o dia em compromissos no Ceará e como sempre (ligou) se colocando à disposição. Mas eu disse a ela que não era necessário, as forças de segurança (locais) estão presentes.” 

 

Depois de passar dois dias recolhido, Cabral apareceu ontem para em rápida entrevista anunciar a criação da Comissão Especial de Investigação dos Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas (CEIV), formada por Ministério Público, Polícias Civil e Militar e Secretaria de Segurança. Isso ocorre mais de um mês após o início dos protestos nas ruas. 

 

Desta vez, o governador não culpou a oposição por tentar antecipar a sucessão em manifestações de rua, como fizera em entrevistas anteriores. Sem dar detalhes nem apontar nomes, porém, o governador acusou supostos grupos estrangeiros. “Você tem, nesses atos de vandalismo, a presença de organizações internacionais cujas redes na internet permitem um nível de comunicação que não se tinha no passado”, disse Cabral. “A gente sabe que há organizações internacionais estimulando o vandalismo, estimulando o quebra-quebra.” 

 

Acompanhado do secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, que tinha expressão grave, o governador respondeu a apenas cinco perguntas - deixou uma sexta para Régis. Na véspera, Cabral participara de reuniões com a cúpula da Segurança e com chefes do Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio. 

 

Chegara a convocar uma entrevista coletiva, mas a suspendeu no último momento, e não apareceu. Não visitou os lugares depredados nem conversou com os comerciantes cujas lojas foram atacadas. Ontem, Cabral encerrou a rápida coletiva alegando que tinha outro compromisso e saiu rapidamente. 

 

Apuração. Antes, apesar de elogiar o trabalho da Polícia Civil, defendeu a apuração pela CEIV. “A criação da comissão tem o objetivo de dar maior coordenação, agilidade e eficiência às investigações”, declarou. “O envolvimento do Ministério Público, junto com a área de segurança do governo, será de grande valia para eficiência das investigações, para a elucidação de crimes cometidos e para a aplicação da lei. Portanto, tenho certeza de que essa comissão dará maior efetividade às investigações, que é o que a sociedade deseja.” 

 

Na véspera, em entrevista da cúpula da Segurança, informava-se que as investigações ficariam a cargo da 14.ª DP, sob acompanhamento da “promotora natural” do inquérito, Patrícia Glioche, segundo o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira.

 

Fuzileiros já estão preparados para a Jornada. Cerca de 150 militares de equipes de operações especiais da Marinha participaram ontem de treinamento para apoio à Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no complexo naval da Ilha do Governador, na zona norte, e no navio-patrulha Macaé, fundeado na Baía de Guanabara. Em um exercício, simulou-se até um atentado químico. De acordo com o plano de segurança, fuzileiros navais vão atuar em pontos estratégicos e farão ações de segurança no Campus Fidei, em Guaratiba, zona oeste do Rio. 

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