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Governo de SP investiga fugas de prisão em Osasco

Agencia Estado

24 Julho 2002 | 23h 12

A fuga de 107 presos em apenas dois anos de funcionamento dos Centros de Detenção Provisória (CDPs) de Osasco, na Grande São Paulo, pôs os diretores dessas unidades na mira das investigações da Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo. O juiz José Marcos Silva, da corregedoria dos presídios da cidade, investiga a existência de esquema com participação de funcionários do sistema prisional para vender fugas. "Há indícios muito fortes, confirmados em depoimentos de diretores afastados, que apontam para a existência desse esquema para fuga de detentos", afirmou o juiz. As investigações da secretaria e da corregedoria levaram ao afastamento dos diretores Mozart Sálvio Barbosa, Erasmo Teixeira de Carvalho, Gilberto Alves Cescon e de cinco chefes de plantão que não tiveram seus nomes revelados. Os funcionários, que respondem a processo administrativo, correm risco de demissão e deverão responder a inquérito criminal. "Por enquanto, não encontrei provas de intenção de facilitar fugas ou associação com o crime organizado. Eles foram afastados por negligência e incompetência", afirmou o corregedor-geral da Secretaria, Clayton Alfredo Nunes. Em um dos casos, de acordo com o juiz, um dos diretores foi avisado de uma fuga, mas não tomou nenhuma providência para evitá-la. A investigação se baseia, também, no registro de fugas nos boletins de ocorrência por funcionários em números superiores aos que efetivamente conseguiram escapar. Em geral membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), os presos fugiam, e o número dos que obtinham a liberdade era aumentado pelos agentes. Por conta disso, o juiz José Marcos Silva trabalha com o número de 158 presos foragidos ante os 107 da corregedoria da Secretaria. De acordo com o corregedor, a diferença se explicaria porque o juiz não conta os presos que foram recapturados ou forneceram nomes falsos à polícia ao serem presos. Nunes investiga a denúncia de negligência do diretor do CDP, que não tomou medidas para evitar a fuga de presos. "Enviei um ofício ao juiz para saber se ele dispõe de informações novas sobre esses casos", afirmou. A secretaria analisa ainda a possibilidade de trocar o material com o qual são feitos os CDPs, criados pelo governador Mário Covas com o objetivo de esvaziar os distritos policiais. "O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) deve entregar nos próximos dias um laudo técnico ao nosso departamento de engenharia, avaliando as condições de construção dos prédios."

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