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Governo do PR silencia diante da rebelião em presídio de Cascavel

Julio Cesar Lima - O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 20h 03

Segundo a assessoria do governador Beto Richa, tema será tratado no âmbito da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Seju)

CURITIBA - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), em campanha pela reeleição, não deve se pronunciar sobre a crise na segurança provocada pela rebelião no Presídio Estadual de Cascavel, iniciada na madrugada de domingo (24) e que se estendeu pela segunda-feira (25).

Segundo a assessoria de Richa, o assunto será tratado pelo governo no âmbito da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Seju). Não há confirmação de que será formalizado algum pedido de auxílio ao governo federal para ajudar a conter a situação. Em um ano, já foram registradas 18 rebeliões no Estado, mas em proporções menores.

Motim em Cascavel
CGN - Central Gazeta de Notícias/Divulgação

Ao menos quatro detentos foram mortos - dois decapitados - durante rebelião neste domingo, 24, na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel), no oeste do Paraná. De acordo com a Polícia Militar, há vários presos feridos e dois agentes penitenciários foram feitos reféns.

Já a secretária Maria Tereza Uílle não se pronunciou desde o início do motim, que durava 36 horas até o início desta noite. Conforme sua assessoria, ela deve falar à imprensa somente após a abertura do presídio e a soltura dos dois agentes que estão como reféns. Como parte de um acordo feito entre a Justiça e os presos, 600 detidos deverão ser transferidos - em grupos de 150 - e somente depois de todos serem levados para os presídios de Foz do Iguaçu, Maringá e Francisco Beltrão eles irão liberar os dois agentes.

Segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Antony Johnson, a rebelião é consequência da falta de segurança e condições de trabalho oferecidas pelo governo. "A gente quer que tudo acabe bem, somos contra qualquer agressão. Não participei da negociação, mas sei que está tudo bem encaminhado; foi uma rebelião enorme e esperamos que o olhar do governo agora para o sistema penitenciário seja diferenciado. A gente denuncia, falta advogado, falta comida, falta agente, precisa acontecer uma tragédia dessa para que o governo se mexa", reclamou, em entrevista à Rádio CBN de Cascavel.

Sobre a lotação da cadeia, Johnson disse que a PEC não foi planejada para abrigar os 1040 presos. Segundo ele, a PEC foi feita originalmente para abrigar 960 e foi aumentada em uma "canetada". Apesar do acordo, a imprensa local divulgou uma advertência de um dos líderes da rebelião. Nela, o preso fala que se os pedidos deles não forem atendidos, outros locais no Estado deverão iniciar novas rebeliões.

Fim da rebelião. Mais cedo, nesta segunda-feira, o juiz da Vara de Execuções Penais, Paulo Famas, garantiu que o motim estava encerrado. A assessoria da Secretaria de Justiça e Cidadania do Paraná, porém, não confirmou a informação, mas disse que a negociação com os rebeldes está em fase final.