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Governo do Rio fecha acordo com família de Cláudia

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

09 Abril 2014 | 15h 56

Estado vai pagar indenização por danos morais e materiais e pensão para os familiares, que serão incluídos no Programa Minha Casa, Minha Vida

RIO - O governador Luiz Fernando Pezão assinou nesta quarta-feira, 9, acordo com a família de Cláudia Silva Ferreira, que morreu após ter sido baleada em tiroteio no Morro da Cegonha e arrastada por PMs no porta-mala de um carro da PM no dia 16 de março. O Estado vai pagar indenização por danos morais e materiais e pensão para a família, que será incluída no Programa Minha Casa, Minha Vida, para receber a casa própria.

O marido de Cláudia, Alexandre da Silva, receberá pensão até 2040, quando Claudia completaria 65 anos. Os quatro filhos receberão a pensão até os 21 anos. Os valores não foram divulgados pelo governo.

A família havia ingressado com uma ação na Justiça contra o Estado por dano moral com pedido de indenização de mil salários mínimos (R$ 724 mil). Ela ganhava R$ 800 como auxiliar de serviços gerais.

Caso Claudia. Moradora do Morro da Congonha, em Madureira, zona norte, a mulher havia sido baleada durante uma troca de tiros entre PMs e traficantes na favela. Os PMs, então, colocaram Claudia no porta-malas de uma Blazer da corporação para levá-la ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, zona norte.

No meio do caminho, a porta do compartimento abriu. Desacordada, Claudia caiu de dentro do porta-malas, mas ficou presa ao para-choque da viatura por um pedaço de roupa. Ela foi arrastada por cerca de 250 metros, batendo contra o asfalto. A mulher ficou ainda mais ferida, com o corpo em carne viva.

A cena foi filmada por um cinegrafista amador, na altura da Estrada Intendente Magalhães, por volta das 9h. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Claudia chegou morta ao hospital. A mulher foi baleada no pescoço e nas costas.

Em nota, a Polícia Militar informou que "este tipo de conduta não condiz com um dos principais valores da corporação, que é a preservação da vida e dignidade humana". A Polícia Civil também investiga o caso. Além de Claudia, um suspeito de envolvimento com o tráfico também foi baleado na operação.

Claudia era casada e tinha quatro filhos. Revoltados com a morte de Claudia, moradores do Morro da Congonha atearam fogo em dois ônibus e apedrejaram uma viatura da PM, na noite de domingo, na Avenida Ministro Edgard Romero, a principal de Madureira. A via já havia sido interditada de manhã pelos moradores.

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