Governo ganha tempo para medidas duras

Na guerra contra a especulação, o governo ganhou ontem mais tempo para adotar medidas cambiais mais duras como quer a equipe econômica. Até que as expectativas de queda da inflação para o centro da meta estejam perfeitamente ancoradas, o Banco Central e o Ministério da Fazenda trabalham com cautela. Uma alta mais forte do dólar poderia comprometer o esforço de combate da inflação, justamente no momento de recuo do IPCA.

Fabio Graner e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2011 | 00h00

A medida de ontem sinaliza, segundo apurou o Estado, que o governo não está parado assistindo ao derretimento do dólar. Continua muito preocupado com a excessiva valorização do real e, especialmente, atento às apostas no mercado futuro, segmento que vem alimentando as especulações. Tal preocupação aumentou diante do fato de que o fluxo cambial no mês passado ficou negativo em US$ 2,5 bilhões e mesmo assim o real se valorizou, impulsionado pelos movimentos no mercado futuro e pelas apostas dos bancos.

O governo pode limitar o grau de alavancagem dos estrangeiros, indicou uma fonte. Embora seja complicado de se fazer, a equipe econômica sempre tenta descobrir caminhos para diminuir a possibilidade de os estrangeiros utilizarem um volume relativamente pequeno de recursos físicos (as garantias) para operar enormes montantes nos contratos da BM&FBovespa, influenciando os movimentos do câmbio.

O aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos externos e outras fontes de ingressos de dólares também não está descartada. Para o ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas, o governo deverá estender a alíquota de 6% do IOF para empréstimos externos com prazos mais longos, como 5, 6 e 7 anos. Hoje, o IOF atinge empréstimos externos de até 2 anos. "Tem muito banco tomando empréstimo com prazo de 10 anos", disse.

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