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SÃO PAULO

Greve de aeroviários e aeronautas paralisa aeroportos do País

Greve de aeroviários e de aeronautas pode se repetir a partir do dia 12; categorias querem 11% de aumento

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CONSTANÇA REZENDE, LUIZ FERNANDO TOLEDO, MÔNICA REOLOM e TULIO KRUSE,
O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2016 | 08h05

SÃO PAULO E RIO - Aeronautas (pilotos e comissários) e aeroviários (agentes em terra) fizeram nesta quarta-feira, 3, uma paralisação por duas horas em 12 aeroportos brasileiros, provocando atrasos ou cancelamentos em 300 voos, segundo o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea, da Aeronáutica. Apesar de o número representar apenas 10% dos voos diários no País, houve um “efeito cascata” após o fim da paralisação, às 8 horas, que provocou transtornos a passageiros até a noite. A paralisação pode se repetir a partir do dia 12.

Balanço da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) mostrou que um terço dos voos domésticos programados entre meia-noite e 19 horas havia registrado problemas. De um total de 1.690 voos no período, 207 foram cancelados e 356 saíram com atraso. Somente em Congonhas, 46,7% das decolagens não saíram conforme o previsto.

Maria Raimundo Sales, de 32 anos, levava o filho de 9 meses e teve de esperar por cinco horas para embarcar no Galeão, no Rio. O voo deles para Teresina, marcado para as 10h17, foi transferido para as 15h30, com conexão em Belo Horizonte. “Vou chegar só às 22 horas em Teresina e não sei em qual prioridade a companhia disse que me botou. Só me ofereceram água. A gente marca tudo direitinho, paga caro e acontece isso. Não sei o que vou fazer com o meu filho durante todas essas horas de espera” disse.

Em Congonhas, na capital paulista, o secretário Adolfo Bertoch, de 53 anos, contou que corria o risco de ser punido judicialmente por não comparecer a uma audiência no Fórum Trabalhista do Rio, que estava marcada para as 10 horas. “Eu iria como testemunha em um processo, mas não vou conseguir chegar”, afirmou.

Já o administrador Fernando Souza, de 50 anos, explicou que precisou desmarcar uma reunião “importante” prevista para as 10 horas, em Porto Alegre. “Ainda não tive nenhuma informação. Desde ontem, o aplicativo da companhia aérea nem faz check-in”, disse ele, que viajaria às 7h25 pela TAM. A empresa informou, em nota, que faria o reembolso de quem teve voos cancelados.

Para pressionar o sindicato patronal, pilotos, comissários e agentes em terra tomaram os saguões dos aeroportos durante a manhã em protesto. Eles seguravam faixas pedindo, além de reajuste salarial, por mais segurança nas operações.

No Santos Dumont, um ato com faixas que impediu o acesso de passageiros ao check-in por dez minutos. Aeroviários também fecharam o trânsito no acesso ao aeroporto por cerca de 20 minutos. O engarrafamento na região obrigou os passageiros atrasados a saltar no meio do caminho e correr até o embarque, carregando malas.

À tarde, a Advocacia-Geral da União (AGU) obteve, na Justiça Federal de Brasília, uma liminar que garante a livre circulação de passageiros nos terminais e proximidades dos aeroportos enquanto durar a greve. A decisão impede que os sindicatos façam piquetes ou impeçam o fluxo de passageiros.

Reivindicação. Os trabalhadores reivindicam 11% de reajuste salarial referente à reposição da inflação no período de 1.º de dezembro de 2014 a 1.º de dezembro de 2015. As empresas aéreas ofereceram reajuste parcelado (3% em fevereiro, 2% em junho e 6% em novembro) e não retroativo, o que motivou a paralisação.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac-CUT), que representa os aeroviários, descartaram greve durante o carnaval, mas informaram que podem voltar a parar no dia 12 se não houver acordo. Nesta data está prevista uma audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. “Decidimos suspender a greve durante o carnaval, mas, se não houver acordo até a quinta-feira (11), paralisaremos a partir de sexta por tempo indeterminado”, disse o secretário-geral do SNA, Rodrigo Spader. As próximas greves devem acontecer também das 6 horas às 8 horas, nos mesmos aeroportos.

“Nós já flexibilizamos nossa proposta e baixamos a reivindicação de aumento de 12% para 11%”, disse o presidente da Fentac-CUT, Sérgio Dias. “A gente entende que esse é o mínimo aceitável.” Os trabalhadores têm de respeitar um contingente mínimo de 80%, determinado pelo TST, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) afirmou que, nos últimos dez anos, os funcionários receberam reajustes acima da inflação. Destacou ainda que já foram feitas seis propostas desde o início das negociações, em outubro, e todas foram recusadas. Segundo o Snea, 45 mil passageiros podem ter sido afetados nesta quarta.

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