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Greve de garis deixa ruas do Rio cobertas de lixo

Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

02 Março 2014 | 13h 44

Banheiros químicos instalados na região dos blocos de carnaval também estão sem manutenção

As ruas do Centro do Rio de Janeiro amanheceram cobertas de lixo neste domingo, 2, de carnaval devido à greve deflagrada por um grupo de garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb).  Os trabalhadores exigem melhores condições de trabalho, reajuste salarial, vale-refeição e pagamento de hora extra. Com isso, as avenidas Rio Branco, Presidente Vargas e Almirante Barroso, além do Largo da Carioca e da Lapa, ainda estão com montanhas de garrafas, latas, sacos plásticos e restos de comida por conta dos blocos que desfilaram pela região no sábado. Os banheiros químicos instalados na região também estão sujos. 

Na manhã deste domingo, um grupo de garis (sem uniforme da Comlurb) iniciavam a limpeza da Avenida Rio Branco, por onde desfilam os principais blocos do Centro do Rio. A via recebeu ontem o Cordão da Bola Preta, que arrastou 1,3 milhão de foliões, segundo estimativas da Prefeitura. Os profissionais de limpeza trabalhavam escoltados por policiais militares. Há informações de que o grupo de grevistas estaria ameaçando quem estivesse furando a paralisação.

A greve dos garis foi iniciada na madrugada de sábado (01). Pela manhã, a pedido da Comlurb, o plantão da Justiça do Trabalho declarou a paralisação ilegal e concedeu liminar determinando o imediato retorno dos garis ao trabalho, sob pena de multa diária de R$ 25 mil.

“Segundo relato inicial, os trabalhadores estariam impedindo a realização dos serviços, como a saída dos caminhões de lixo, mediante o emprego da força, o que, a toda evidência, ressalta a índole reprovável do movimento, em desrespeito à dignidade da pessoa humana, princípio fundamental proclamado pelo Magno Texto Republicano. Os sérios transtornos causados à população - justamente no feriado festivo de carnaval - são evidentes e independem de prova”, escreveu a desembargadora Rosana Salim Villela Travesedo, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

À tarde, cerca de 400 garis grevistas que caminhavam pela Avenida Presidente Vargas em direção ao Sambódromo entraram em choque com policiais militares, nas proximidades da sede da Prefeitura. O conflito começou depois que a passeata foi barrada pelos PMs. Os manifestantes foram dispersados com bombas de gás lacrimogêneo. 

Em nota, o Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio declarou que a paralisação foi deflagrada por um grupo de garis “sem representatividade junto à categoria”. 

A Comlurb informou neste domingo que “mantém sua rotina especial de limpeza programada para o período de Carnaval. Alguns pontos da cidade sofreram interferência de membros de um grupo de grevistas sem representatividade nem ligação com sindicato reconhecido da categoria e com movimento considerado ilegal pela Justiça do Trabalho, o que dificultou e atrasou a realização dos serviços nestes locais. A Comlurb está mobilizada na correção da limpeza nos pontos onde houve problemas. A Companhia reitera que está em negociação com o sindicato da categoria, como faz anualmente no período do acordo coletivo”.

 

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