Gripe aviária prejudica oferta de penas e plumas para carnaval

O que seria de um desfile de escola de samba sem paetês, penas e plumas? É difícil imaginar a resposta, mas, este ano, as agremiações do Rio estão precisando usar de seus recursos mais importantes, a criatividade e o improviso, para levar o carnaval à avenida sem perder o brilho e a opulência. Os paetês sumiram das lojas, levados pela indústria da moda, que nos últimos anos vem trazendo roupas brilhosas em suas coleções. Já a oferta de penas de avestruz, faisão e pavão diminuiu bastante por conta das restrições impostas pelo Ministério da Agricultura em decorrência da gripe aviária - o que fez, claro, com que o preço desses artigos fosse às alturas: uma única pena grande de faisão chega a custar R$ 450. Já o quilo da pluma de avestruz mais cara, que rende adornos para, no máximo, 60 fantasias, sai a R$ 850. A Imperatriz quase ficou sem paetês para enfeitar suas fantasias e fazer acabamentos de carros alegóricos. Só depois de esperar 20 dias para receber a encomenda de duas mil peças de 50 metros de paetês, em fio, de diversas cores, a compradora de material da escola, Cátia Drummond, pôde respirar aliviada. "Carnaval não espera. A gente tem dia e hora marcados para desfilar." A dificuldade de se encontrar penas e plumas de aves tem explicação simples. Com a gripe aviária em países criadores de avestruzes, como a África do Sul - onde mais de 40 mil aves foram sacrificadas -, e de pavões e faisões, como a China, as autoridades brasileiras estão apertando o cerco para evitar que a doença chegue ao País. Existe uma portaria de 2004 que proíbe a entrada de penas e plumas de avestruzes abatidos depois de julho daquele ano. A medida vem causando problemas para os carnavalescos, já que não há oferta suficiente desses artigos no Brasil - a produção nacional, que ainda está engatinhando, é de apenas duas toneladas por ano, quando são importadas entre 60 e 70 toneladas, tanto para o carnaval, quanto para a confecção de espanadores para limpeza. A Caprichosos aderiu logo às penas artificiais, parecidas com as naturais. "Sem criatividade, não somos nada", acredita o carnavalesco, Chico Spinosa.

Agencia Estado,

23 Fevereiro 2006 | 19h51

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