Grupo é acusado de torturar mulher com choques elétricos

Segundo denúncia, comparsa foi mantida em viatura e agredida para pressionar criminoso a pagar propina

Ricardo Brandt,

20 Julho 2013 | 20h26

Para pressionar o traficante Agnaldo Aparecido da Silva Simão, o Codorna, a pagar R$ 300 mil, os policiais torturam com choques e agrediram com socos uma suposta comparsa, que acabou presa em 18 de março, em um flagrante supostamente forjado, segundo o relatório do Ministério Público.

Janaína de Souza Ribeiro e Monik Maria de Souza estavam na frente de uma escola conversando com o traficante Lucas Escotão, aliado de Codorna, quando foram abordadas pelos policiais. O traficante fugiu. Os investigadores teriam entrado no carro e rodado com elas atrás de Escotão.

"O policial Silvio (Cesar de Carvalho Videira) começou a bater em mim. Fiquei no banquinho de trás da Saveiro. O policial Leonel (Rodrigues Santos) ficou sentado no banco de passageiros e ficou dando tapas na minha cara. Ele também deu socos na minha cara. Nesse momento, o policial Silvio trouxe uma bolsa, de onde tirou uma máquina. Ele ligou essa máquina em uma tomada do carro e aumento o volume do som do veículo", disse Janaína, em depoimento. Foi quando teria começado a sessão de tortura, primeiro com choques nos dedos, depois na vagina. "Eu vi que eles colocaram a máquina no nível seis. Foi muito sofrimento. Eles ficaram horas lá nos torturando."

Em depoimento, Escotão relatou aos promotores que estava escondido e presenciou a tortura. "Populares tentaram chegar perto para auxiliar as meninas, que gritavam. Porém, aqueles indivíduos davam tiro para o alto e afastavam a população", disse.

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