Grupo na Câmara lança ofensiva para punir deputado

As declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao CQC provocaram reações indignadas do movimento de combate ao racismo, de entidades ligadas à defesa dos gays, da Ordem dos Advogados do Brasil e de personalidades do mundo artístico. Na Câmara, um grupo de 19 deputados iniciou um movimento pela punição do parlamentar.

Lucas de Abreu Maia, André Mascarenhas e Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

30 Março 2011 | 00h00

O grupo pediu ontem mesmo que a corregedoria da Casa analise a conduta de Bolsonaro. O corregedor, Eduardo da Fonte, é do partido de Bolsonaro. Fazem parte desse movimento deputados de PSOL, PT, PDT, PC do B e PSB. Eles pedirão aos presidentes de seus partidos que assinem em conjunto representação para que o caso seja também submetido ao Conselho de Ética. Além disso, deverão protocolar no Ministério Público representação para que Bolsonaro seja investigado pelo crime de racismo. Serão encaminhadas ainda ações aos Ministérios dos Direitos Humanos e Igualdade Racial.

Antes mesmo da manifestação do grupo de parlamentares, a OAB do Rio de Janeiro já anunciara que pediria processo no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. "As declarações do deputado Jair Bolsonaro são inaceitavelmente ofensivas, pois têm um cunho racista e homofóbico, incompatível com as melhores tradições parlamentares brasileiras", afirmou o presidente da OAB/RJ, Wadih Damous.

Ativista do movimento gay, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) classificou as palavras de Bolsonaro como "crime de racismo". "Ele terá de responder por seu crime e imoralidade", afirmou. Brizola Neto (PDT-RJ) também classificou as declarações de Bolsonaro como criminosas. "Jair Bolsonaro cometeu crime de racismo e isso tem de ter consequências na Câmara."

O presidente da ONG Educafro, frei David Santos, disse que vai tomar "as medidas necessárias" contra Bolsonaro. "É uma pena que tenhamos um parlamentar que sofra da doença do racismo", afirmou. "Bolsonaro tem uma visão vazia e desinformada sobre as cotas."

Nilton Luz, coordenador da Rede Nacional de Negras e Negros LGBT, afirmou que a organização apoiará a ação judicial de Preta Gil. "Nosso papel é mobilizar a sociedade contra essas declarações."

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