Grupo ocupa sede da prefeitura de Belo Horizonte

Moradores de comunidades exigem reunião com o prefeito Márcio Lacerda

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2013 | 19h39

BELO HORIZONTE – Cerca de cem pessoas de movimentos populares ocuparam nesta segunda-feira a sede da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) reivindicando audiência com o prefeito Marcio Lacerda (PSB). O grupo é formado principalmente por moradores das comunidades Dandara e Eliana Silva, em áreas de ocupação, e por integrantes das Brigadas Populares e do Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Sob alegação de questão de segurança, a sede da PBH foi fechada e guardas municipais impedem a entrada de alimentos e líquidos para os manifestantes. Uma mãe teve que amamentar seu bebê pela grade da entrada do prédio e a assessoria do Executivo municipal afirmou que “se os manifestantes quiserem comer, terão que sair”.

 

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Além do grupo que está no saguão da prefeitura – onde a imprensa também foi impedida de entrar –, há aproximadamente 200 manifestantes fora do prédio. A principal reivindicação é que sejam encerradas as remoções de famílias das comunidades ocupadas, assim como de moradores que vivem em áreas onde são feitas obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014.

“São 5 mil famílias em áreas ocupadas. Queremos a mudança do zoneamento para que essas áreas sejam declaradas de interesse social e as comunidades possam ser regularizadas, com instalação de energia, água e esgoto”, disse Natália Alves, uma das lideranças do MLB que está dentro do prédio. O grupo entrou no local ainda pela manhã e os guardas municipais impedem até que alimentos sejam passados a eles pelas grades da portaria principal. “Tem mães e crianças aqui. Está todo sem comer desde a manhã”, contou a manifestante.

Por meio de nota, a PBH informou que o secretário municipal de governo, Josué Valadão, se encontrou com o grupo e se comprometeu a realizar, no próximo dia 8, reunião com o prefeito para “discutir temas relativos à política habitacional do município”. A nota afirma que “por questões de segurança, não está sendo permitida a entrada de nenhuma pessoa no prédio da Prefeitura”. Mas os manifestantes não aceitaram deixar o prédio. Segundo Natália, a reunião do 8 é do Conselho Municipal de Habitação (CMH) e não a que a prefeitura havia se comprometido a fazer com integrantes das comunidades, durante ocupação da Câmara Municipal de Belo Horizonte no início do mês.

Na ocasião, cerca de 300 manifestantes passaram mais de uma semana acampados na sede do Legislativo municipal, ocupado ainda no fim de junho, na esteira dos protestos que assolaram durante dias dezenas de cidades brasileiras. Durante a ocupação, a PBH cancelou o aumento das passagens de ônibus ocorridas no fim de 2012, uma das principais reivindicações do grupo.

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