1. Usuário
Assine o Estadão
assine

'Guerra às drogas não diminui consumo'

27 Maio 2014 | 20h 46

Especialistas dizem que legalização não aumenta o uso de drogas se produção ficar na mão do Estado e o preço subir

SÃO PAULO - Depois de o presidente José Mujica transformar o Uruguai no primeiro país de uso livre de maconha no mundo, no início de maio, a discussão sobre o tema aumentou. Sabe-se que o narcotráfico tem uma rede cada vez mais criativa e eficiente de vendas. Ativistas políticos e traficantes usam até uma espécie de ‘dark web’, conexões globais anônimas e quase impossíveis de rastrear na internet.

“Vamos saber daqui a cinco anos se foi uma boa ideia ou não, quais serão os verdadeiros resultados. Estou bem interessado”, diz Mark Kleiman, professor de Políticas Públicas na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Kleiman tornou-se consultor-chefe do governo do estado de Washington, um dos pioneiros a permitir o uso da maconha, em 2012.

“Ninguém sabe o que vai acontecer, mas parece que eles estão fazendo certo. O Uruguai terá um mercado regulado e não permitirá promoção agressiva de vendas”, diz Kleiman. Um dos argumentos contra o modelo é que a produção, nas mãos do Estado, seria menos eficiente e os preços subiriam. “Não queremos maconha barata”, diz Peter Reuter, professor da Escola de Políticas Públicas e do Departamento de Criminologia da Universidade de Maryland, nos EUA. “O sistema deve prevenir a distribuição comercial privada. Quanto mais controle, melhor.”

Usuários. Preços baixos, acredita-se, elevariam o consumo. “Se a única coisa importante é manter a taxa de uso baixa, a legalização não parece uma boa ideia, pois ela irá diminuir o custo e o estigma associado ao uso, além de aumentar a disponibilidade”, diz Reuter.

A guerra às drogas foi vista como uma intensificação do combate ao crime nos anos 1980, nos EUA. O crime vem caindo, mas o consumo aumentou. “O preço da cocaína continuou caindo nos Estados Unidos, mesmo no período em que o policiamento estava ficando mais rígido, entre 1980 e 2007”, diz Reuter. “Pessoas que se tornaram usuários naquela época continuaram e muitas foram presas. Nós temos cerca de meio milhão de pessoas na cadeia por violações às leis antidrogas, a maioria por distribuição, mas esse número ainda é muito maior que o necessário.”Reuter defende que os presos por narcotráfico sejam soltos, porque o prejuízo de mantê-los na prisão seria maior que as vantagens.

Outro ponto importante tem a ver com saúde pública. Há estudos que apontam que o uso da maconha pode levar ao consumo de outras drogas, entre elas o álcool. “Eu creio que não, mas há muita incerteza nesse ponto”, diz Reuter.

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo