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Guia desvenda trilha ao ponto mais alto do Rio

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

19 Abril 2014 | 17h 28

Acesso ao Pico da Pedra Branca, a 1.025 metros de altitude, abriga rica biodiversidade da Mata Atlântica e locais turísticos e históricos

A 1.025 metros de altitude, o acesso ao Pico da Pedra Branca, o ponto mais alto da cidade do Rio de Janeiro, começa a ser desvendado para o grande público. A trilha e outras 22 de diferentes níveis de dificuldade foram incluídas no guia bilíngue Trilhas – Parque Estadual da Pedra Branca, organizado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Com 125 km² (10% da área da cidade) – que chegarão em breve a 140 km² – e cercado por 17 bairros da zona oeste, o parque é a maior floresta urbana do País e abriga mais da metade da Mata Atlântica remanescente na capital. Hoje, cerca de 25 mil pessoas visitam a área, mas a intenção é aumentar o público.

A trilha até o cume da cidade é uma das mais difíceis, densas e bonitas do parque e deve ser usada apenas por montanhistas experientes que consigam se orientar na floresta – os guias não acompanham as trilhas. Também é possível chegar ao ponto mais alto do Rio por diversas vias de escalada.

"O mais legal da trilha da Pedra Branca não é chegar ao pico, mas toda a riqueza natural, cultural e histórica que o turista encontra pelo caminho", afirma a bióloga e subchefe do parque, Vanessa Teixeira. Ao longo dos 7,3 quilômetros de travessia, percorridos em cinco horas, além de toda biodiversidade característica de Mata Atlântica, o turista passa por monumentos importantes da história da região e da cidade.

No ponto onde as trilhas começam há o Sistema de Captação de Água, de 1908, que abastece 10 mil habitantes até hoje. No trajeto ainda é possível conhecer a Casa Amarela, que foi sede de uma fazenda da região, passar pelo Caminho Colonial Hervê Muniz e por diversos pontos onde era feito escambo de café, cana-de-açúcar e outros bens produzidos no Rio no passado. Outro atrativo são as cerca de cem carvoarias que foram usadas por ex-escravos como fonte de renda.

Importância. A conservação do parque é fundamental para a preservação da biodiversidade da Mata Atlântica. Lá há pelo menos 429 espécies de plantas com algum grau de endemismo, ou seja, que de alguma forma estão limitadas àquela área. A bromélia Neoregelia camorimiana, por exemplo, existe apenas na Pedra Branca.

Outro exemplo é um pássaro conhecido como trovoada, cujo único registro feito na cidade data de 2012. O sapo-pingo-de-ouro, importante indicador de qualidade ambiental, passou a ser visto nas partes altas do parque recentemente. Algumas espécies de aves, mamíferos e peixes ameaçadas de extinção encontram na Pedra Branca um local seguro para reprodução.

População. Criado em 1974, o parque ainda abriga 1,7 mil residências ocupadas por famílias com histórico agrícola. O Inea, no entanto, estuda desapropriar essas casas para garantir a preservação do local.

Na área externa, o parque está no centro de uma região em forte processo de expansão. Bairros como Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, no entorno, recebem melhorias urbanas que atraem a população que tenta avançar para dentro do parque.

Esse é um dos desafios dos 61 guardas que orientam visitantes, fiscalizam e protegem a área de invasores. Com eles, trabalham 35 policiais da Unidade de Polícia Ambiental (Upam), que combatem crimes contra a natureza. Em 2013, ações de fiscalização efetuaram 313 autuações.

O Inea está redimensionando o parque, que avançará em áreas verdes e de risco e recuará em regiões urbanizadas. "Queremos mostrar que é possível conciliar preservação da biodiversidade com presença humana e desenvolvimento econômico", diz Vanessa.

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