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Homem morre após passar o dia preso em cela a céu aberto no MA

Francisco Edinei Lima Silva foi detido após se envolver em acidente de trânsito e apresentar sinais de embriaguez

Diego Emir, Especial para o Estado

11 Outubro 2017 | 20h44

SÃO LUÍS - Um comerciante de 40 anos morreu na segunda-feira, 9, em Barra do Corda, no Maranhão, após passar o dia e a noite preso em uma cela ao ar livre em uma delegacia da cidade. Francisco Edinei Lima Silva foi preso no domingo, 8, após se envolver em um acidente de trânsito e apresentar sinais de embriaguez.

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A morte revoltou familiares e moradores da cidade, já que o local onde o homem ficou detido não tem qualquer tipo de proteção contra intempéries. A cela - que se assemelha a uma jaula - fica no pátio da delegacia, exposta ao sol, à chuva e ao vento. Nesta época do ano, a região chega a registrar temperaturas de até 40°C e muito sol. 

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Segundo relatos de familiares, enquanto esteve preso o comerciante teria relatado fortes dores de cabeça e a polícia teria sido informada que o detento possuía hipertensão. Nas primeiras horas da segunda-feira, o detento sofreu convulsões e, após ser levado para uma Unidade de Pronto Atendimento do município, morreu. A família acusa a delegacia de não ter prestado atendimento inicial a Lima, versão que é contestada pelo delegado Renilton Ferreira. Segundo ele, o detento teve o acompanhamento dos advogados que não relataram nenhum problema de saúde.

Sobre a cela instalada na delegacia ao ar livre, Ferreira afirmou se tratar de uma ala destinada a presos provisórios "até serem atendidos pela autoridade policial competente". 

A presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da Ordem dos Advogados do Brasil do Maranhão (OAB/MA), Karolina Carvalho, disse que pretende ir ao município para verificar as condições do local denunciado e lembrou que em várias cidades existem detentos cumprindo penas em delegacias, o que é proibido por lei.

 

No início do ano, a delegacia de Barra do Corda já havia sido denunciada pelo defensor público Jessé Mineiro, que solicitou em conjunto com o Ministério Público a interdição do local por parte do Poder Judiciário.

O corpo de Francisco Edinei Lima Silva foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Imperatriz e um laudo está sendo aguardado para apontar a causa da morte do comerciante.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública classificou o espaço como "gaiola", por meio do superintendente de Polícia Civil do interior, Dicival Gonçalves, e disse que, "na verdade, é um local destinado para banho de sol dos 23 presos de Justiça que estão na delegacia de Barra do Corda e jamais foi utilizada para manter pessoas por longo espaço de tempo".

Gonçalves questionou a versão da família e confirmou a versão do delegado Renilton Ferreira de que o comerciante Francisco Edinei Lima Silva teve acompanhamento de advogados. "De acordo com informações do relatório oriundo de Barra do Corda e do IML de Imperatriz, a causa da morte foi natural", afirmou.

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