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Brasil

SÃO PAULO

Horário de verão acaba à meia-noite deste sábado

Relógios deverão ser atrasados em uma hora no Distrito Federal e em 10 Estados; horário de verão teve duração de 4 meses

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Edison Veiga,
O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - À meia-noite deste sábado, 20, acaba o horário de verão. Os relógios deverão ser atrasados em uma hora no Distrito Federal e em 10 Estados. A medida, que teve início no dia 18 de outubro de 2015, mudou os ponteiros nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além do DF. 

E se depender da vontade do deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), o horário de verão acabará neste sábado para nunca mais voltar. Ele é autor de um dos três projetos de lei que tramitam na Câmara pedindo o fim do horário brasileiro de verão. "Tem um instituto de cardiologia que já fez estudos muito científicos relacionando o horário de verão a aumento de problemas de saúde, da hipertensão ao diabetes, passando pela depressão", afirma. "E mais: durante o horário de verão, crianças aprendem menos na escola, porque têm de acordar mais cedo."

Apesar de ressaltar que não está legislando em causa própria, mas "atendendo a um apelo da população", ele próprio se diz afetado negativamente com o horário de verão. "Veja só minha rotina: toda segunda pego avião às 5h30 de Chapecó, onde resido, a Brasília. Acordo às 4h30. No horário de verão isso é uma hora mais cedo", comenta. "A pessoa tem de acordar uma hora mais cedo por um decreto da Presidência! Um absurdo."

O argumento oficial, de que a mudança nos relógios resulta em economia de energia elétrica, não convence Colatto. "A prova está na conta de luz de cada um. Compare se você paga menos no verão do que no resto do ano. Não diminui nada", defende ele. Segundo o deputado, o projeto já foi apresentado na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara - mas retornou porque os membros afirmaram não ter conhecimento do assunto. "Neste ano vou promover um audiência pública com médicos e especialistas apresentando suas razões", promete o parlamentar, ressaltando que tem uma pesquisa realizada via internet em que 80% das pessoas se posicionaram contrárias ao horário de verão.

O horário de verão foi adotado pela primeira vez no Brasil em 1931. De lá para cá, houve uma inconstância - em vários períodos a mudança não foi determinada. Só em 1985 o horário de verão passou a ser anual - no início, de abrangência nacional.

Comentários. Fato é que nas vésperas da fatídica hora de ajustar os ponteiros do relógio, comentários e argumentos são os mais variados. Cada um tem sua opinião - e sua justificativa para defender ou criticar o horário de verão. "Eu amo. Por mim, poderia ser horário de verão o ano inteiro", comenta a publicitária e blogueira Mariana Graciolli, de 27 anos. "Amo sol, dia, céu azul. O horário de verão faz com que eu tenha a sensação de que meu dia dura mais. Acho incrível sair do trabalho e o dia ainda estar claro. Dá a sensação de que ainda tenho como aproveitar o tempo."

Já a aposentada Maria da Glória Santiago Domingues, de 73 anos, conta as horas para atrasar seu relógio. "Por mim, não existiria horário de verão. Essa mudança toda hora mexe muito com o organismo", diz ela. "E não consigo me habituar aos tamanhos do dia e da noite, enquanto estamos no horário de verão."

Opinião semelhante tem o livreiro Ricardo Lombardi, de 45 anos. "Eu não gosto. Acordo super cedo para correr pelas ruas e não gosto do horário de verão pois tenho de acordar ainda no escuro. Perco o pique, às vezes", diz.

Dissonâncias à parte, tem sempre o bom humor. "Que calor, caramba! Mas amanhã termina o horário de verão, então o verão acaba, né?", postou o humorista Bruno Motta, em sua conta no Twitter.

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