André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Ideia da intervenção é 'limpar' polícias e usar 'banda boa' da inteligência do Rio

Fontes ouvidas pelo Estado dizem que com chegada de general a coordenadação geral ele poderá fazer uma intervenção cirúrgica nas forças de segurança

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2018 | 19h22

Ainda há muitas dúvidas em relação à forma como o processo de intervenção no Rio de Janeiro será conduzido pelo Comandante Militar do Leste, general Braga Netto, designado para a missão. Hoje, duas reuniões já foram realizadas no Exército. A primeira, com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas e demais integrantes do Alto Comando, como o chefe do Estado Maior do Exército, o comandante de Operações e o de Logística. A segunda foi do Exército com a Marinha e a Aeronáutica. Mais tarde, o general Braga Netto estará em Brasília e nova reunião será realizada.

Segundo fontes ouvidas pelo Estado, a decretação da intervenção na segurança pública não interfere na atuação do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que já estão à disposição do governo do Estado do Rio pela convocação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Só que, neste caso, conforme destacam essas fontes, o protagonismo do comando das operações conjuntas era do governo do Estado, com as polícias Militar e Civil e uma Secretaria de Segurança Pública totalmente contaminadas, o que atrapalhava toda e qualquer execução de missão.

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Por muitas vezes, as tropas eram chamadas para uma operação em um local e quando chegavam lá, todo mundo tinha fugido e deixado um fuzil, um pacotinho de drogas e um velocípede e faziam "papel de bobos", exemplificam as fontes. Episódios como esse se repetiram várias vezes, o que irritou muito as Forças Armadas, que decidiram concentrar suas atuações em questões que podiam controlar sozinhas, como o combate ao roubo de cargas nas estradas federais, com ajuda da Polícia Rodoviária Federal. Assim, evitavam o vazamento das ações.

 

Agora, com este novo modelo de intervenção, com a chegada do general Braga Netto assumindo a coordenação geral de tudo, ele poderá fazer uma intervenção cirúrgica nas polícias, nomeando os novos comandantes, que serão militares do Exército, possivelmente outro general. Esses nomes ainda não foram fechados. Com esse formato, o Exército poderá atuar com mais força, exigindo o cumprimento da hierarquia e cobrando ações da PM e da Polícia Civil e afastando pessoas que consideram necessárias. Com isso, a ideia é ir fazendo uma espécie de limpeza nas corporações e essa atuação em conjunto com as Forças Armadas, em operações, poderá ser orientada pela inteligência das próprias Forças, trabalhando com o que chamam de "banda boa" da inteligência do Estado do Rio, que dizem que existe, mas que está isolada, sem poder de atuação.

Nesta interferência, o objetivo é chegar ao coração do crime no Estado, em todos os segmentos, público e privado, descobrindo, inclusive, o caminho financeiro do crime. O comando sabe que, na teoria, o plano é ótimo, mas, na prática, de difícil execução. Sabe também que poderá sofrer boicote nas instituições, mas para isso, usará a hierarquia e a disciplina como regras de ouro das Forças Armadas, afastando quem não se enquadrar.

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Este problema de contaminação nas polícias não é novo e foi reconhecido até mesmo pela oposição lá atrás, quando assumiu o governo e nomeou generais para as suas secretaria de Segurança. Foi o caso de Jarbas Vasconcelos e Miguel Arrais. O Exército, então, entrará para fazer uma limpeza porque vai em locais estratégicos. Agora, quando as Forças Armadas forem para as ruas, será de forma conjunta, sob o controle do comando com o interventor. 

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