Identificados 13 corpos de vítimas de acidente aéreo no Recife

Mortes foram provocadas pelo impacto do bimotor ao cair, não pelas explosões que se seguiram

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2011 | 19h02

RECIFE - Das 16 vítimas do acidente do L-410 da Noar Linhas Aéreas, 13 foram oficialmente identificadas pelo Instituto de Medicina Legal (IML) até esta sexta-feira, 15. De acordo com o gestor de Polícia Científica, Francisco Sarmento, apenas dois corpos precisarão de exame de DNA para serem identificados: os de Camila Suficiel Marino, 26 anos, e Johnson do Nascimento Pontes, 30. Para a identificação legal do corpo de Carla Sueli Moreira, 36 anos, o IML aguarda dados do seu dentista.

 

A morte dos 13 legalmente identificados - nove por impressão digital e quatro pela arcada dentária - foi causada por politraumatismo, o que revela que os óbitos foram provocados pelo impacto da aeronave ao cair, não pelas explosões que se seguiram. A queda da aeronave ocorreu menos de quatro minutos depois da decolagem - realizada às 6h51 da quarta-feira -, a quatro quilômetros do aeroporto, sem sobreviventes. Os exames de DNA serão realizados em Salvador e devem ser concluídos em um prazo de 7 a 15 dias, segundo Sarmento.

 

Sepultamentos. O corpo do copiloto do L-410, Roberto Gonçalves, 60 anos, foi enterrado nesta sexta-feira, às 10h40, ao som de violino e sob aplausos, no Cemitério Morada da Paz, no município metropolitano de Paulista. No final da tarde, depois de velado com honras militares, foi cremado o corpo do piloto Rivaldo Paurílio Cardoso, 68, no Memorial Guararapes, município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes. Ele era brigadeiro reformado da Aeronáutica. Experientes, Rivaldo e Roberto tinham, respectivamente, 40 e 20 anos de profissão.

 

Também foram sepultados, no Morada da Paz, os corpos de Marcelo de Albuquerque Carneiro Campelo, 66, Maria da Conceição de Oliveira, 46, e Ivanildo Martins dos Santos Filho, 46. O sepultamento do copiloto contou com a presença dos seus oito filhos e nove irmãos, sob forte emoção. "Ele foi um herói", disse seu filho Adriano, que faz curso de pilotagem e pretende seguir a carreira do pai. Honey, outro filho do copiloto, é piloto da Tam e veio de Paris para o enterro. Luiz, irmão, disse que já previa algo assim na família, vez que, entre sobrinhos e irmãos, nove integrantes dos Gonçalves são envolvidas com aviação. "É muita dor".

 

Inquérito. Responsável pela investigação que apura a responsabilidade penal do acidente, o delegado Guilherme Mesquita começa a ouvir, nesta segunda-feira, as pessoas responsáveis pela manutenção das aeronaves da Noar Linhas Aéreas, diretores da empresa e parentes das vítimas. O delegado considera imprescindível a ouvida do irmão do copiloto Roberto Gonçalves, Jairo Gonçalves que denunciou, através dos meios de comunicação que o irmão já havia se queixado de perda de potência da aeronave na decolagem. O inquérito foi oficialmente instaurado na última quinta-feira.

Mais conteúdo sobre:
acidente aéreo Recife

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.