Igreja não tem posição partidária, diz CNBB

O vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus, afirmou ontem em entrevista à Rádio Vaticano, em Roma, que a Igreja já está cumprindo a orientação dada pelo papa Bento XVI, quinta-feira, quando condenou o aborto e aconselhou o episcopado a lembrar aos eleitores o direito de usar o voto para a promoção do bem comum.

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2010 | 00h00

"A Igreja não tem posição partidária e o papa não está dizendo que se deve votar em um ou em outro candidato", observou d. Luiz Vieira, acrescentando que, "como os dois candidatos (Dilma Rousseff e José Serra) têm praticamente a mesma posição diante do aborto, é complicado fazer a escolha".        

 

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O secretário-geral da entidade, d. Dimas Lara Barbosa, declarou à Rádio Vaticano que não existe divisão no episcopado a respeito do que o papa falou, embora haja opções políticas divergentes entre os bispos. "Nos pontos fundamentais, como a defesa da vida e a liberdade religiosa, que são valores inegociáveis, estamos em profunda sintonia com o santo padre", disse.

O discurso de Bento XVI aos bispos do Regional Nordeste 5, que estão em Roma, não vai alterar a orientação dada aos fiéis na Arquidiocese de São Paulo. O cardeal-arcebispo, d. Odilo Scherer, comunicou que serão mantidas para as eleições presidenciais de amanhã as mesmas instruções dadas antes do primeiro turno. Os fiéis são aconselhados a votar de modo consciente e responsável, sem campanha explícita para partidos ou candidatos.

"Não se trata de fazer uma cruzada na véspera e no dia das eleições, porque não é disso que o papa está falando", observou o bispo de Limeira, d. Vilson Dias de Oliveira, porta-voz do Regional Sul 1 da CNBB. "Estamos seguindo a orientação do papa, porque já vínhamos trabalhando na conscientização dos eleitores, sem apontar nomes de partidos ou de candidatos", afirmou.

O bispo de Jales, d. Demétrio Valentini, advertiu que "se deve evitar a tentação de achar que o papa está interferindo na política brasileira". "O bom da democracia é cada um poder votar de acordo com a sua consciência."

Nas dioceses de Guarulhos e de Lorena, o orientação do 1.º turno para não votar em Dilma ou no PT permanece inalterada.

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